sexta-feira, 26 de março de 2010

Açude Orós: 50 anos de uma tragédia sertaneja

``A água invadiu as casas de manhãzinha. Vinha depressa e a gente na correria pra fugir da enchente. Muitos saíram já com a água na cintura e quando não dava tempo esperar pela balsa, iam mesmo era nadando. A correnteza era forte e a gente via descendo com as águas portas, guarda-roupas, mesas, cadeiras... Restava dizer adeus à nossa Conceição``.

As recordações da manhã de 26 de março de 1960 emocionam os mais velhos. Chico Matias, Antônio, Zé Justino, dona Alzira, Raimundo Jacinto, dona Vilany lembram do dia em que se rompeu a barragem do açude Orós e do sofrimento dos que moravam no lugarejo de Conceição do Buraco. ``Teve gente que jura que morreu gente arrastada pelo mundão de água, mas não morreu não. Todo mundo nadava como piaba``, afirma seu Matias.

Os acontecimentos de 50 anos causam rebuliço quando lembrados por quem deixou as casas fugindo da água que transbordou do açude ainda em construção. Cada um tem uma lembrança para contar. Acredita-se que 170 mil tiveram de abandonar às pressas as moradias devido a inundação causada pela cheia do rio Jaguaribe que destruiu a barragem do Orós.

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