quarta-feira, 1 de abril de 2009

Artigo do Internauta: Att: Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Acopiara

CARTA DE DESFILIAÇÃO

“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons” - Martin Luther King Jr.

Desde quando Lula, ao lado de gente como Sérgio Buarque de Holanda, Frei Beto, Chico de Oliveira, Paul Singer, Maria Luíza Fontenele e Luiza Erundina fundou o Partido dos Trabalhadores, diversos setores da sociedade e gente comum passaram a ouvir o chamado clamando para que mais e mais pessoas se unissem por um Brasil não só diferente, mas também melhor, e melhor para todos, como é hoje o próprio lema do governo federal.

O mesmo convite ecoou nas terras de Acopiara, inflamado pelo esforço das comunidades eclesiais de base da igreja católica, a qual, pela teologia da libertação, mostrou ter feito de fato opção pelos pobres.
Pela igreja, movimentos tomaram força e o PT finalmente foi fundado. Fundado por homens e mulheres que desejavam mudar aquela realidade em que imperavam o cancro da corrupção, o favorecimento da incompetência, as idéias mesquinhas e vis da direita cevada pelos anos de ditadura.

O Partido dos Trabalhadores foi criado no país inteiro baseado em princípios éticos e na busca por se apresentar como um partido que verdadeiramente representasse a classe trabalhadora, para combater as oligarquias decrépitas e mal-cheirosas que se tornaram donas do poder no país e em Acopiara, acostumadas a não prestar contas de suas administrações, a atrasar salários e perseguir adversários. O PT foi criado para combater o empreguismo e o clientelismo.

O PT desde o início já era um partido diferente. Internamente reinava um espírito democrático coroado por debates de idéias, por disputas internas semelhantes ao esquema tese-antítese-síntese de Hegel. Em forma de espiral, o partido crescia, mesmo perdendo companheiros que criaram outras legendas. O PT crescia porque respeitava os seus princípios e seus filiados. Nenhuma decisão era tomada sem que houvesse um longo debate.

Não havia ainda solicitude por cargo, por ser candidato, por ser o mais importante dentre os filiados. Apesar de não estar no poder, a secretaria do partido funcionava, os filiados recebiam cartas informativas sobre reuniões, encontros, seminários ou debates. É preciso repetir: havia respeito pelos ideais, pelas bandeiras de luta, pelos sonhos de todos. Principalmente respeito pelos filiados. Porque, primeiramente, para se filiar, era necessário se passar pelas bases do partido para se saber se aquela pessoa que solicitava filiação tinha, de fato, o perfil do partido.

O partido decidia pela filiação e não apenas um pequeno grupo.
Não se filiava qualquer um. Havia critérios. Os cargos públicos ocupados por membros do partido pertenciam ao partido e não a uma pessoa.
Para se assumir um cargo dessa natureza havia discussão para se decidir quem tinha o melhor perfil para cumprir bem as tarefas demandadas pelo cargo. Todos assumiam a participação. Havia o sentimento de que aquele cargo era na verdade ocupado por todos e não por uma pessoa ou facção. O partido era indubitavelmente uma instituição e não um mero instrumento de negociação.

Finalmente veio a decadência. Hoje o partido não realiza mais debates, e quando o faz não informa a todos os filiados a fim de excluir aqueles que se opõem ao grupo majoritário. Os filiados são desrespeitados até em sua vida pessoal. Se um companheiro ou companheira ocupa um cargo comissionado na administração e ao mesmo tempo faz oposição ao grupo que domina o partido, há uma cruzada para tirar do companheiro o cargo, mesmo sem este ter sido indicado como cargo do partido. Ou seja, faz-se perseguição sórdida aos próprios companheiros.

Em nome de um pragmatismo mesquinho, apóia-se o administrador, mesmo que este não cumpra os acordos que fez com o partido e, pior ainda, mesmo que este esteja contra tudo o que o partido pregou no início como sendo a base de sua ação.

Se os gestores apoiados pelo partido não fazem prestação pública das contas, têm suas contas desaprovadas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), atrasam o pagamento de fornecedores e prestadores de serviço, incham a máquina pública como intuito de manter os votos, são acusados de agredir parlamentar ou pessoa do povo, mesmo que a CGU aponte irregularidades (o argumento é que não tem problema porque isso acontece em todo lugar, como se qualquer um pudesse cometer homicídio porque isso acontece em todo lugar), para o PT atualmente nada disso importa. Como diz Marco Antônio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos, “A história do PT incomoda o PT.

Enquanto os velhos militantes abandonam o partido, os oportunistas preenchem com avidez as fichas de filiação. Não precisam mais da história ou de qualquer justificativa ideológica. A adesão é pragmática: querem cargos, poder e, se possível, algumas inecura”. Mas esse não é o partido em que nos filiamos. Esse não é partido que ajudamos a construir. Esse partido não nos representa, não responde aos nossos anseios, não nos encanta.

O partido que ajudamos a construir rompe com quem quer que seja quando não cumpre acordos. Diante da simples acusação de irregularidade ou ilegalidade põe fim à parceria, pelo menos até que tudo fique esclarecido. Esse é o nosso partido. Esse parece não mais existir.

Por essas razões, por tudo o que expusemos, nós, MARIA SÔNIA TAVEIRA DE ANDRADE e NABUPOLASAR ALVES FEITOSA, PEDIMOS, EM CARÁTER IRREVOGÁVEL, A NOSSA DESFILIAÇÃO DOS QUADROS DO PARTIDO DOS TRABALHADORES DE ACOPIARA/CE, conforme requerimento anexo.

Reiteramos, no entanto, que continuamos acreditando e apoiando o presidente Lula, o vice-governador professor Pinheiro, a prefeita de Fortaleza Luizianne Lins, alguns deputados federais (com destaque para Eudes Xavier), os estaduais Arthur Bruno e Raquel Marques, porque continuamos a acreditar ser necessária a ética, a moralidade, o respeito, a luta pela sociedade igualitária, pelas bandeiras fundantes do partido.

Acopiara, 09 de fevereiro de 2009.

Maria Sônia Taveira de Andrade e
Nabupolasar Alves Feitosa

Um comentário:

Unknown disse...

Eu sou petista de carteirinha e partindo do principio que estamos no estado democrático de direito, é legitima a decisão dos companheiros aí de Acopiara em se desfiliarem do PT local. Para mim isso não é nenhuma novidade. Já tivemos nomes fortes no nivel nacional, digamos grandes expoentes do PT que sairam do partido da estrela. Plinio de Arruda sampaio, Chico Alencar, Heloísa Helena. Isso não é furo de reportagem de nenhum blog. Apenas eu estranho qual o interesse desse bloqueiro em publicar na integra uma carta de desfiliação de dois ex companheiros do PT de Acopiara neste blog. Como a logica da imprensa mudou, né?. Antigamente fazer propaganda do PT não rendia nada, pelo contrario, diziam que dava azar pelo 13, hoje em dia é de vanguarda fazer alusão ao PT, a maior vitrine do país. Partido do Presidente LULA e o meu partido também. Que se vão dois ex companheiros, mas outros que acreditam num PT democrátio virão. Certamente o PT de Acopiara não os comportava, talvez por terem mentes empoeiradas pelo tempo, ou pelo narcisismo de ambos. Não os conheço, mas me chamou a atenção a estrela do PT no seu blog. O PT de LULA e o meu PT é o PT legitimo e que acredita numa sociedade justa e não permite que filiados utilizem a sigla para promoção pessoal. Vc já viu isso em algum outro partido? Temos o orgulho de dizer, somos petistas.... Duvido que apareça algum gato pingado dizendo: tenho orgulho de ser do PSDB, do DEM etc.... Vão com Deus.