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sábado, 25 de novembro de 2017

Resultado da votação de Ciro influirá no futuro do seu grupo

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Ciro Gomes (PDT), quando aceitou participar de uma nova disputa pela Presidência da República, alimentava a ideia de ser o principal nome de oposição aos grupos conservadores da política nacional, posto admitir não ser o ex-presidente Lula, novamente candidato ao cargo, não pelo impedimento de uma condenação judicial, àquela época uma possibilidade remota.

Lula o teria dado sinais de não ter a intenção de voltar a pedir votos para si, estimulando-o a se aproximar mais dos petistas e das outras agremiações com ideologias parecidas. Hoje, o cearense pensa diferente, embora pessoas no seu entorno tentem convencê-lo a continuar admitindo não ser Lula um dos seus adversários.

Se Lula já tem uma condenação em primeira instância, e esta pode ser confirmada por um Tribunal, teoricamente o impedindo de poder disputar voto, o fato de vivermos em um "País das Liminares" nada garante que a Lei da Ficha Limpa iniba a disposição do ex-presidente de vir a estar concorrendo a mais um novo mandato de Chefe do Executivo nacional.

Ciro, até onde demonstra sua disposição, com ou sem Lula manterá sua candidatura, porém, mudará a estratégia projetada, inclusive com relação ao Ceará, pois é aqui, mesmo com o pequeno eleitorado em relação ao todo do Brasil, onde está a sua base de sustentação, bem crescida, após o irmão Cid Gomes ter assumido o controle da sua base política.

Parâmetro

Lula, competindo, será o principal adversário de Ciro Gomes neste Estado. As oposições daqui, embora não tão expressivas, apoiarão outros candidatos à Presidência com um interesse especial, posto objetivarem tirar o máximo de votos do presidenciável cearense. Como, de fato, praticamente só o PDT pedirá votos para Ciro. Lula, Bolsonaro e um tucano terão aqui bons espaços de campanha.

O sucesso eleitoral deles nas plagas cearenses, além de contribuírem de algum modo para melhorar a performance de alguns candidatos proporcionais, objetiva ferir o grupo dos irmãos Ferreira Gomes, mesmo eles conquistando o Governo do Estado, uma vaga de senador e vários deputados.

A votação de Cid para o Senado, muito grande, admitem observadores, não servirá de parâmetro para a avaliação do resultado final do pleito, e as consequências futuras para a manutenção da fortaleza do grupo governista atual. Cid não se defrontará com adversários da dimensão dos que confrontarão Ciro, que nas duas eleições disputando com Lula, o venceu no Ceará, mas com pequena diferença de votos. Em 1998, quando Fernando Henrique Cardoso foi o vitorioso para um segundo mandato, Ciro conquistou 909.402 votos no Estado, contra 872.290 do Lula, pouco mais de 37 mil votos de diferença.

Naquela eleição, Fernando Henrique somou no Ceará um total de 804.969 mil votos, sendo o terceiro mais votado aqui. Quando da eleição de 2002, Ciro novamente candidato, Lula foi outra vez o segundo mais votado ao somar 1.353.339 sufrágios, 176.284 a menos que o cearense. O candidato dos tucanos, José Serra, não teve o mesmo apoio dado pelo senador Tasso Jereissati ao ex-presidente Fernando Henrique, obtendo apenas 293.425 votos.

Tasso, por certo, vai estar à frente da campanha do seu correligionário, principalmente se ele for o governador de São Paulo Geraldo Alckmin. E o envolvimento de Tasso terá o objetivo não só de ajudar ao tucano, mas, sobretudo, de desidratar o máximo possível Ciro no contexto local, objetivo idêntico a dos defensores do Bolsonaro por aqui.

Camilo no PT fragiliza mais ainda o candidato Ciro, ao tempo que, reciprocamente, com o número 13, beneficia e é beneficiado pela dobradinha com Lula. Nenhum petista pedirá votos para outro postulante, senão o do seu partido. E não será fácil para os pedetistas, sem gerar uma certa dúvida para o eleitor, pedir o voto estadual no 13, e para o federal no 12.

Ao fim, com Ciro tendo bem menos votos que Camilo no primeiro turno do pleito, mesmo sendo um importante eleitor no segundo turno, em havendo, fica fácil dizer que foi o Lula quem mais o ajudou na sua luta pela reeleição, muito diferentemente do acontecido em 2014.

Distanciando

Este quadro vislumbrado internamente, e o isolamento do Ciro na caminhada em busca do mandato presidencial, por conta dessa perspectiva de ter Lula como um aliado e não como concorrente, tendem a influenciar uma mudança no discurso de Ciro, hoje deveras favorável ao petista para criticar os responsáveis pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Embora com discurso e postura diferentes, o cearense parece ser coadjuvante do petista, arrostando para si parte do desgaste acumulado pelo ex-presidente e seu partido.

Ciro tem razões sobradas para de há muito estar distanciado de Lula. O episódio da transferência do seu domicílio eleitoral, num passado recente, para ser o candidato do ex-presidente ao Governo do Estado de São Paulo já deveria ter sido suficiente.

Não se distanciando, mesmo agora, já um pouco tardiamente, sua situação política tende a ficar bem mais difícil, ao ponto de chegar ao fim do primeiro turno do pleito, e ele lá não estando, ter de ir pedir votos para Lula se eleger, uma realidade abominada pela grande maioria dos brasileiros mais esclarecidos, pelo todo agora conhecido da era petista no comando da administração pública nacional.

DN Online

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