terça-feira, 9 de agosto de 2016

Senadores fazem acordo para interromper sessão na madrugada

Ricardo Lewandowski chega para votação prévia do julgamento do Impeachment de Dilma Rousseff
Com a perspectiva de que a sessão preliminar do impeachment, em andamento nesta terça (9), dure mais de 20h, os senadores tanto da base aliada quanto da oposição fecharam um acordo para que a sessão seja suspensa às 23h de hoje e seja retomada às 9h desta quarta (10). A medida pode evitar que grande parte dos discursos sejam feitos de madrugada.

A iniciativa foi do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e contou com apoio da maioria dos senadores presentes em plenário. Alguns senadores da base ainda avaliam essa hipótese e insistem em dar continuidade à sessão, ainda que os trabalhos entrem pela madrugada.

De acordo com o senador Humberto Costa (PT-PE), o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski, responsável por presidir a sessão de hoje, já concordou. Ele, no entanto, ainda não se manifestou oficialmente sobre a ideia e pode, pelas regras, rejeitar o acordo.

Apesar disso, alguns senadores avaliam que a decisão pode sair antes das 23h. Muitos parlamentares irão usar bem menos que os 10 minutos a que tem direito. A intenção é justamente acelerar o processo.

O relator do processo, Antonio Anastasia (PSDB-MG), leu um resumo de seu parecer favorável à condenação definitiva da presidente afastada, Dilma Rousseff. O texto foi aprovado na semana passada pela Comissão Especial do Impeachment. A sessão foi interrompida por uma hora e será retomada às 14h, conforme roteiro estabelecido previamente pelo ministro.

Antes, Lewandowski respondeu a oito questionamentos apresentados por senadores da oposição. Ele rejeitou o pedido para que a votação que pode tornar Dilma ré no processo fosse suspensa.

O pedido foi feito pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE) no início da sessão de hoje. Eles argumentaram que o caso não pode prosseguir antes que se esclareça a acusação feita por Marcelo Odebrecht contra o presidente interino Michel Temer. Na negociação para a sua delação premiada, ele contou aos investigadores que repassou R$ 10 milhões em dinheiro para o PMDB em 2014 a pedido de Temer. A informação foi publicada pela revista "Veja" no último fim de semana.
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