“Após essas conversas ficou claro para o depoente que havia muitos políticos de diversos partidos procurando construir um amplo acordo que limitasse a ação da Operação Lava Jato”, diz depoimento de Machado que explicava os diálogos que gravou com caciques do PMDB em março – antes de o processo de impeachment de Dilma ser aberto pelo Congresso. As conversas trataram, dentre outros assuntos, de estratégias para barrar a Lava Jato.
Segundo Machado, o próprio senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi derrubado do Ministério do Planejamento após vir à tona os diálogos em que fala em “estancar” a Lava Jato, teria lhe confidenciado “sobre tratativas com o PSDB nesse sentido facilitadas pelo receio de todos os políticos com as implicações da Operação Lava Jato”.
O PSDB hoje está na base de apoio do governo interino de Michel Temer e possui três ministérios, incluindo o da Justiça, responsável, dentre outros, pela Polícia Federal.
A preocupação, contudo, ia além dos tucanos. “Essas tratativas não se limitavam ao PSDB, pois quase todos os políticos estavam tratando disso, como ficou claro para o depoente; que o Romero Jucá sinalizou que a solução política poderia ser ou no sentido de estancar a Operação Lava Jato, impedindo que ela avançasse sobre outros políticos, ou na forma de uma constituinte”, relatou o delator.
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