sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Oposição diz que Cunha usa cargo para se defender de cassação

Aliada de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quando ele ameaçava deflagrar um processo de impeachment contra Dilma Rousseff, a oposição unificou o discurso de que o presidente da Câmara está usando o cargo em benefício próprio e alguns partidos irão ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedir o seu afastamento.

Na quinta (19), Cunha e aliados conseguiram, usando recursos previstos no regimento interno da Casa, derrubar a sessão do Conselho de Ética que iria analisar o relatório preliminar de seu processo de cassação.

As manobras resultaram em um motim de cerca de cem deputados, que criticaram Cunha em plenário e abandonaram a sessão de votações do dia.

"Há um consenso de que ele errou demais, passou do limite de tantos erros. Mostrou que não tem o menor receio de usar o cargo para se beneficiar", afirmou o líder da bancada do PSDB, Carlos Sampaio (SP).

"Foi uma coisa vexatória, absurda, inaceitável. A Câmara foi usada em benefício próprio, como instituto de defesa. Você jamais pode usar a Câmara como algo que lhe pertença", reforçou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

Até aliados de Cunha reconheceram, reservadamente, terem errado a mão e, na palavra de um deles, "acordado quem estava dormindo". Na avaliação de correligionários do peemedebista, o adiamento da tramitação do processo em uma semana foi um ganho muito pequeno em comparação ao fôlego político dado aos adversários de Cunha.

O discurso da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) na sessão plenária de quinta, em que ela disse "levanta dessa cadeira, Eduardo Cunha", foi considerado por aliados e adversários um petardo político contra o peemedebista.

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