quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Artigo: "Sou ré Confesso"

Lindomar Rodrigues, Polasar Feitosa e Sônia Taveira
"Confesso que sempre fui viciada em política. Iniciei minha militância sem mesmo ter a idade mínima de ser eleitora, pois o voto aos 16 anos ainda não era permitido. Em quase três décadas de militância política fui filiada a dois partidos políticos PT, 23 anos aproximadamente e PV, 04 anos, e pela primeira vez estarei sem partido, desejo antigo que o prazer político não me libertava. Confesso que sinto falta do tempo em que o partido político era um espaço de formação e, articulação de lideranças para atuação na realidade criando uma mentalidade nova. As ideologias, problemas, programas de governos, políticas públicas eram discutidas e disputadas respeitando cada membro filiado. As deliberações e escolhas partidárias eram respeitadas e cumpridas por seus filiados. As disputas eram ideológicas e não apenas por legendas ou cargos. Tentávamos conceber a política como vocação e não profissão. As novas relações e formas de se “fazer” partidos não tem me motivado, talvez seja porque os partidos não sejam mais espaços de debates e “disputas” sendo cooptados por quem tem a maior “barganha” ou o menor princípio ético do respeito, da disputa, do debate político coletivo (a exemplo do que aconteceu no Partido Verde de Acopiara). Infelizmente são muitos os políticos por profissão. O nosso futuro está dependendo do embate entre políticos por vocação e políticos por profissão. Faço minhas as palavras de Guimarães Rosa "Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade... Ao contrário dos 'legítimos' políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro”. Agradeço imensamente aos que militaram comigo. Aprendemos muito juntos. Dividimos e compartilhamos ideologias, ideias, projetos, trabalho, vida. Continuarei militando e defendendo o melhor para Acopiara. Confesso que me sinto lisonjeada pela confiança e pelos convites para participar de outros partidos, mas esta é uma decisão adiada no momento".

Por Sônia Taveira

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