quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Aplicativo criado por estudante deixa receitas médicas compreensíveis


Letra de médicos, por vezes ilegível, dificulta não apenas o entendimento do remédio a ser comprado. Ela pode também prejudicar forma de uso, dosagem e horários em que o medicamento deve ser tomado. O aplicativo Letras de Médico, idealizado pelo estudante de Medicina da Universidade Federal de Fortaleza (UFC) Rogério Malveira, busca ajudar o paciente a entender tanto o nome do medicamento a ser comprado como a forma de uso.

O aplicativo não traduz a letra do médico. Com ele, o médico gera uma receita com o nome dos medicamentos, forma e tempo de uso com desenhos que representam objetos ou conceitos. Com imagens e figuras que explicam cada procedimento, Rogério afirma que a inovação possibilita até cinco vezes mais entendimento por parte do paciente. “A receita é organizada em horários e pictogramas. Possui linguagem totalmente acessível. Por exemplo: ao invés de ‘uso contínuo’, colocamos ‘tomar todos os dias’”, detalha.

O software já está sendo usado, em forma de experimento, no ambulatório de cardiologia do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). A partir de janeiro, o aplicativo estará disponível aos médicos para compra.

A invenção de Rogério, que contou com a ajuda de uma amiga de infância, Carla Tenecy, foi um dos seis projetos finalistas do laboratório Social Good Brasil, que ajuda a viabilizar iniciativas que usam as tecnologias e novas mídias para melhorar o mundo. O aplicativo Letras de Médico ficou na segunda colocação.

Saiba mais

O artigo 35 da lei federal nº 5.991/73 torna obrigatória a escrita de forma legível das receitas médicas. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec) é quem faz a fiscalização das receitas quanto à legibilidade em postos de saúde, clínicas e hospitais.

Escrever de forma incompreensível também fere o Código de Ética Médica. Ele diz que é vedado ao médico “receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível”.

A resolução RDC n.º 67, de 2007, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), autoriza o farmacêutico a avaliar a receita com critérios de legibilidade, podendo barrá-la pelos riscos de uma interpretação errada.

O POVO Online

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