segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Artigo: Como previsto, Camilo está no segundo turno.

No dia 20 de agosto, neste mesmo espaço, afirmei o seguinte: “...eu tenho a convicção de que, com o início do programa eleitoral no rádio e na televisão, Camilo Santana (PT) terá um forte crescimento, podendo até ir para o segundo turno ligeiramente à frente de Eunício Oliveira (PMDB).” Naquele momento, Eunício Oliveira tinha 47% e Camilo Santana apenas 19% das intenções de voto, segundo o Datafolha havia publicado no dia 14 de agosto de 2014.

Agora, com 100% das urnas apuradas, Camilo Santana vai para o segundo turno – tendo obtido 47,81% (2.039.233 votos) – contra Eunício Oliveira, que recebeu 46,41% (1.979.499) dos votos no Ceará. Os dois deixaram para trás Eliane Novais, que conquistou a simpatia de 3,39% (144.507) dos votantes, e Aílton Lopes, que foi votado por 2,40% (102.394) dos eleitores. Os quatro somados obtiveram 4.265.633 votos.

Sobre o desempenho de Camilo Santana, pode-se começar a dizer que manteve a rota de crescimento estabelecida em sua trajetória, muito provavelmente pelo voto feminino. O resultado alcançado está muito parecido com o que o Datafolha havia indicado, de 47% dos votos válidos. Ter imposto esse aumento nos votos ao longo da campanha no primeiro turno – Camilo Santana sempre estava maior em cada pesquisa – aponta para um vetor de crescimento continuado no segundo turno, aumentando assim a expectativa de vitória ao final da eleição.

Eunício Oliveira não teve a mesma sorte. Nunca ganhou um só voto desde que foi divulgada a primeira pesquisa. Se entre os dias 03 e 20 de setembro ele manteve os 41% das intenções de voto, na pesquisa do dia 01 de outubro de 2014 mais enfraquecimento, culminando com um resultado preocupante.

As pesquisas não conseguiram captar que Eliane Novais e Aílton Lopes teriam a votação que tiveram senão no limite da margem de erro. E esses votos saíram de Eunício Oliveira. Pode-se afirmar que aqueles dois candidatos garantiram que este não fosse para o segundo turno.

A partir de agora é uma nova eleição. O tempo de rádio e televisão é o mesmo para os dois candidatos. Porém, a perspectiva de vitória de Camilo Santana no dia 26 de outubro poderá levar mais e mais prefeitos a apoiar a candidatura governista e a abandonar o peemedebista.

Com a disputa acirrada assim, os ataques pessoais tendem a se intensificar, e não dá para saber que efeitos esse novo embate, agora direto, terá sobre o eleitor. Não serão apenas boas propostas que ajudarão na eleição dos candidatos, mas a capacidade de enfrentar o outro com elegância, mas com bastante firmeza. Para quem quer ganhar essa eleição, a lição de Che Guevara: é preciso ser duro, mas sem jamais perder a ternura.

Prof. Dr. Nabupolasar Alves Feitosa
Doutor em Ciências Sociais: Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

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