quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Artigo: A outra face do mesmo símbolo

Na abertura do ano legislativo, dia 3 de fevereiro, o vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas do PT do Paraná, assumiu o rasteiro papel de moleque, na pior significação da palavra, ou seja, aquele que tem mau caráter.

O gesto do deputado foi semelhante a mostrar a língua ou exibir o dedo médio em agressiva posição em relação aos demais dedos, desprezando regra básica da convivência entre seres civilizados, deliberadamente ignorando que em virtude da função institucional por ele assumida deve ter comportamento adequado, principalmente nos eventos públicos.

Na presença de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, André Vargas ergueu o punho fechado, gesto dos petistas José Dirceu e de José Genoino ao serem presos para cumprir a sentença proferida no julgamento do mensalão.

Evidentemente, o petista André Vargas tem o seu direito e motivos de sobra para não ter gostado nem um pouco do resultado do julgamento do mensalão. Entre a companheirada, ele pode muito bem fazer tudo o que quiser para demonstrar a sua raiva em relação aos ministros do Supremo que não se curvaram à temporária potência do poder petista. Em público, não.

O respeito cabe em qualquer canto. Pela amplitude da Câmara dos Deputados, ali respeito deveria ser matéria básica.

Por ser pessoa pública e político com exercício parlamentar, André Vargas tem a obrigação de respeitar os seus pares e as pessoas que exercem funções em outros poderes, mesmo que tenham posições antagônicas às suas. Afinal, política também é saber conviver com os contrários, como bem dizem os especialistas.

Sabe-se que o punho fechado é o símbolo do socialismo.

Como os mensaleiros condenados José Dirceu e José Genoino sabiam que iniciariam o cumprimento da pena de prisão no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e que ficariam em celas separadas das de outros condenados, provavelmente ao erguerem o punho cerrado quiseram dizer que são socialistas íntegros e fortes, e que não se abateram diante da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal.

No entanto, se eles, os petistas José Dirceu e José Genoino, pelo menos vislumbrassem que poderiam ser encarcerados numa cela comum e que se misturariam a dezenas de outros condenados, certamente exibiriam o mesmo punho fechado, mas nos rostos deles não viríamos expressões de deboche e desprezo pela justiça. As expressões seriam de preocupação e os olhares estariam encharcados. Nessa situação esse símbolo teria outra conotação.

Tem interesse em saber qual?

Feche o punho; visualize-o pela face em que fica em primeiro plano o polegar pressionando o contraído indicador; é essa a outra conotação do falado símbolo. Seria essa a maneira como os ditos mensaleiros condenados expressariam o mais íntimo dos seus sentimentos.

Eles estariam dizendo para nós, pessoas decentes, como estavam os seus retos na reta final da ação penal 470, o famoso processo denominado mensalão.

Francisco Rodrigues
Servidor Público

Nenhum comentário: