terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Artigo: "Fala mal-empregada"

Ouvi, dia 30-12-2013, no Programa “Primeira Edição” (Francisco, o Papa, diz que esse título é equivocado; se fosse correto, ele, o Papa, seria Francisco I; todos sabemos que isso só ocorrerá quando vier a existir um segundo Papa Francisco) da Rádio Lages FM trechos de pronunciamentos do vereador José Estênio.

Na ocasião, o vereador concedeu aparte à vereadora Marli, e esta revelou: “Nós (se referindo, evidentemente, aos vereadores que atualmente esperneiam na oposição) reclamamos porque podemos. Você, colega José Estênio, não pode reclamar porque na sua casa tem os empregos dados pelo prefeito. Nós não temos. Por isso reclamamos.”

Eu já sabia, vereadora Marli. Mas foi bom Vossa Excelência revelar. Foi bom Vossa Excelência dizer da própria boca, tornar público e com todas as palavras o que é que faz um vereador da vossa estatura ser da situação ou da oposição. Nisso, vereadora Marli, Vossa Excelência mostrou-se uma pessoa verdadeira, uma pessoa decente.

Agora, o que considerei o mais interessante do episódio.

No auge de sua fala reveladora, a vereadora Marli foi premiada com aplausos entusiasmados e gritinhos de contentamento, certamente produzidos pelos seus pares mais parceiros: os demais vereadores ora jogados na oposição. Os gritinhos e os aplausos subscreveram a fala da vereadora.

Entendo que ao colocar ao ouvinte a fala do vereador José Estênio o produtor do programa que pretende ser “o noticiário no mundo da notícia” (seja lá o que isso quer significar; para mim não diz nada) quis, na verdade, destacar o posicionamento da vereadora Marli, julgando ele, produtor, que com isso faria submergir o dito pelo vereador situacionista.

Creio que aconteceu o contrário.

Ao revelar, sem meias palavras, que o fator determinante para posicionar um grupo de vereadores responde pelo carinhoso nome de emprego dado pelo prefeito, mesmo que temporariamente, a vereadora Marli e todos aqueles que a festejaram com aplausos entusiasmados e gritinhos de contentamento afogaram-se nas escuras e abissais águas da politicagem.

Francisco Rodrigues
Servidor Público

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