segunda-feira, 26 de março de 2012

Sobre o papel de Conselheiro Tutelar


Como Conselheiro Tutelar, fui psicólogo, quando uma Criança ou Adolescente desrespeitavam seus genitores, diante da incompreensão deles de entender que a maioria das Crianças ou Adolescentes só querem chamar a atenção dos mesmos.
 
Como Conselheiro Tutelar, fui assistente social, quando tinha de confortar a mãe ou o pai de alguma Criança ou Adolescente quando por suas rebeldias se afastavam de seus genitores, levando- os a pensar que tudo estava perdido.
 
Como Conselheiro Tutelar, fui juiz da vara infância, quando por várias tive que informar aos pais de Crianças e Adolescentes acerca do seu papel perante as Leis sobre as possibilidades de serem responsabilizados criminalmente pela conduta dos seus filhos. 

Como Conselheiro Tutelar, arrisquei minha vida ao deslocar-me altas horas da noite para atender as ocorrências noturnas na certeza que a minha presença garantiria aos Adolescentes apreendidos que teriam seus direitos assegurados.
 
Como Conselheiro Tutelar, fui juiz de pequenas causas, quando, em minha folga, algumas pessoas me procuravam para resolver seus problemas relacionados a Crianças e Adolescentes.
 
Como Conselheiro Tutelar, fui advogado, quando as pessoas me procuravam para tirarem dúvidas acerca de como poderiam agir em determinadas situações que dependiam de ações criminais.
 
Como Conselheiro Tutelar, fui o cara que mudou todos os hábitos para sempre, andando em estado de alerta 25 horas por dia, sempre com um olho no peixe e o outro no gato, confiando desconfiado, tendo em vista os inúmeros de casos os quais agressores e violadores de Crianças e Adolescentes foram processados e até presos em virtude do meu trabalho.
 
Como Conselheiro Tutelar, fui xingado, agredido com palavras, discriminado por pessoas que não conseguem entender o meu trabalho, quase fui espancado, incompreendido por uma parte da sociedade que não tentam se quer entender as Leis.
 
Na hora do bônus, esquecido tido e visto como adversário; na hora do ônus, convocado para fortalecer as parcerias nas políticas públicas, pois os mesmos que dizem que eu não faço nada, se encontravam precisando da minha participação e colaboração.
 
Como Conselheiro Tutelar, tive de tomar, em frações de segundo, decisões que os juízes da vara da infância, no conforto de seus gabinetes, tiveram meses para analisar e julgar.

Como Conselheiro Tutelar, ainda me deparo com atitudes as quais me surpreendem, quando uma mãe por motivo de  raiva do ex-marido é capaz de dá cinco filhos só para se vingar de seu ex-marido.
 
Não desejo a ninguém  passar pelo que passei, nesses quase 04 anos que estou fazendo parte do  Conselho Tutelar, mas fui voluntário nessa árdua missão ninguém me laçou, a sociedade acreditou em me, aquela mesmo sociedade que não se interessa tanto  pelas Leis, más na hora de escolher e votar na eleição para Conselheiro Tutelar, como é uma eleição a qual não corre dinheiro, ainda sabem votar, por votam em pessoas honestas as quais desenvolvem trabalhos comunitários na sociedade.
 
Como Conselheiro Tutelar, passei a observar com outra ótica as políticas públicas, quando se trabalha em uma instituição como o Conselho Tutelar, tudo fica claro e você percebe que no sistema de garantia de direito, (S.G.D) quase tudo funciona a passos lentos e  quando se está dentro e você tem o papel de garantir direitos, para algumas pessoas a sua opinião não importa, ou que, simplesmente não existem, e você por várias vezes pergunta a DEUS o porquê de você está ali? E vendo a importância do seu trabalho e suas ações é que você percebe e entende o porquê de Deus ter permitido a você tão grande papel perante a sociedade.

Ter mim tornado um Conselheiro Tutelar para me foi à coisa mais maravilhosa que já aconteceu na vida, Deus não dá a chance a todo mundo de vê, perceber, de presenciar o quanto a vida é boa e que o seu trabalho pode mudar toda uma vida, e melhor mudança aconteceu dentro de me, hoje posso dizer que me tornei um ser humano melhor nas minhas ações, passei a amar mais, a compreender mais, a entender mais, hoje me considero um verdadeiro pai.

Conselho Tutelar de Acopiara
José Pereira Aldezon - conselheiro

3 comentários:

Luiz L. disse...

Parabéns...Repito as mesmas palavras que escreves. Sucesso

Luiz L. disse...

Parabéns...belo pensamento, repito as mesmas palvras.

Anônimo disse...

Estou muito orgulhosa de você.Esse sentimento só nasce em pesssoas que faz do seu trabalho um ato de amor.Espero oportunidade de te encontrar ainda em algum lugar e que possamos ter conversas tão maravilhosas e aprendizados, que sempre partilhamos na política da criança e do adolescente, mesmo sendo hoje uma persona não grata, nessa política, mas fazer o que? Deus sempre responde as verdades humanas.