A romaria pela liberação de emendas parlamentares aconteceu no quarto
andar do Palácio do Planalto. Foi na antissala da ministra de Relações
Institucionais, Ideli Salvatti, que estava ausente, de férias. Sobrou
para o secretário-executivo, Claudinei do Nascimento, dar as más
notícias.
Os coordenadores das bancadas passaram o dia lá, levaram chá de
cadeira e saíram frustrados com os cortes nas verbas para seus estados.
Todos da base do governo, os deputados eram atendidos um a um. A revolta era quase unânime. Até entre os petistas.
— O clima é de muita insatisfação. Infelizmente o governo cancelou
pagamento de boa parte das emendas. Fomos tratados de uma forma muito
ruim. Ficamos despachando em gabinetes atrás de migalhas — queixou-se
José Airton (PT-CE).
O coordenador da bancada do Ceará, Arnon Bezerra (PTB), ficou tão
irritado que decidiu renunciar à coordenação. Nenhuma das cinco emendas
definidas pelo grupo foi atendida.
— Perdemos um tempão discutindo prioridades do estado e chega na hora
não adianta nada. É rir para não chorar. Plena época de festas e nós
aqui, passando por isso tudo. De que vale ser líder? Vou deixar o cargo —
anunciou Bezerra.
O Globo
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