domingo, 21 de novembro de 2010

Iguatu-CE: Estação de trem faz 100 anos

O badalado do sino, puxado por uma corda, era o aviso que o trem estava chegando. Na plataforma da estação, dezenas de moradores, sempre bem vestidos, dividiam o espaço e o sentimento de expectativa dos que esperavam e dos que estavam para chegar de mais uma viagem sobre os trilhos que cortavam o Sertão cearense e unia a Capital, no litoral, à região Sul, no Cariri. Durante décadas essa rotina se repetiu nesta cidade, que no último dia 5, comemorou o centenário de inauguração da ferrovia e da estação ferroviária.

A ferrovia tem uma importância histórica e foi fundamental para o crescimento de várias cidades do Interior, beneficiadas com a chegada do trem. Iguatu é uma delas. O trem chegou há 100 anos, em grande festa e acontecimento. A antiga Vila da Telha se transformou. Os negócios e o local se desenvolveram rapidamente.

O trem favoreceu o transporte de passageiros e de produtos agropecuários do Interior para a Capital. Deixava-se de conduzir mercadorias em lombos de tropas de burros, para usar vagões puxados por uma máquina a vapor, a Maria Fumaça. Ganhava-se tempo e dinheiro, embora a viagem de Iguatu a Fortaleza demorasse dois dias. Para a época, era um avanço.

Em 19 de outubro de 1910, o jornal O Estado de São Paulo escrevia: "A ponta dos trilhos da Estrada de Ferro de Baturité chegou a dois quilômetros da cidade de Iguatu. A estação desta cidade, cujas obras já estão quase concluídas será inaugurada no dia 5 de novembro próximo". A previsão foi concretizada e a estação ferroviária foi inaugurada naquela data.

Em 1909, a Estrada de Ferro Baturité e a Estrada de Ferro Sobral foram unificadas e surgiu uma nova empresa, a Rede Viação Cearense (RVC). Décadas depois, surgiria a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), empresa pública, do Governo Federal, que em 1997 foi privatizada pela CFN.

A solenidade de inauguração aconteceu em frente à casa do intendente municipal da época, Belizário Cícero Alexandrino. O presidente da Província do Ceará, comendador Antônio Pinto Nogueira Acioli, foi representado pelo juiz de Direito, Alerano de Barros. O ato contou com a participação do diretor da Estrada de Ferro, Zózimo Barroso e de centenas de moradores. "Houve muitos discursos, queima de fogos, balões foram soltos em comemoração ao acontecimento", contou o pesquisador e memorialista, Wilson Holanda Lima Verde.

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