domingo, 18 de julho de 2010

Emancipação de distritos: Conquista é incerta para população


Na região Centro-Sul, três distritos vivem a expectativa de se tornarem cidades: São Pedro, em Jucás; José de Alencar, em Iguatu; e Santa Felícia, em Acopiara. Entre eles, há sentimentos comuns. A maioria dos moradores é a favor da emancipação política, mas há dúvida se a independência será alcançada ainda este ano.

Das três localidades, o distrito São Pedro, em Jucás, é o que melhor apresenta condições de infraestrutura e econômica para alcançar a emancipação política. Localizado a três quilômetros da CE-375, que liga Iguatu a Jucás, a vila de São Pedro sonha com a possibilidade de ser elevada à categoria de cidade. Esse pelo menos é o sentimento dos moradores.

A mobilização recente para demonstrar a viabilidade econômica e o atendimento aos critérios da lei estadual que regula a emancipação de distritos foi feita pela Associação Pró-Emancipação de São Pedro, Canafístula e Mel. "Atendemos com folga às exigências legais", disse Francisco de Sales Ribeiro, um dos coordenadores do movimento.

"Agora esperamos que o plebiscito seja encaminhado em tempo". A Associação Pró-Emancipação já planeja realizar um trabalho de divulgação do plebiscito e conscientização dos moradores. "Acreditamos que não teremos dificuldade para o ´sim´ ganhar. O nosso trabalho já vem sendo realizado há algum tempo", frisou Ribeiro.

Na década de 1970, a Vila de São Pedro experimentou um dos primeiros trabalhos comunitários de base sob a coordenação do então vigário da paróquia de Nossa Senhora do Carmo, padre João Sticker. O sacerdote implantou a Associação de Base de São Pedro e incentivou a criação de unidades produtivas, dentre elas, uma cerâmica, que se transformou em um empreendimento particular.

O trabalho do sacerdote impulsionou o desenvolvimento na vila. O trabalho comunitário foi a semente para o crescimento da sede do distrito, que hoje tem dezenas de lojas, duas fábricas e uma movimentação financeira comercial igual e às vezes superior à da cidade de Jucás. "Estamos confiantes com a possibilidade de emancipação", disse um dos líderes políticos, José Mauro Cunha.

Os que defendem a emancipação têm um argumento em comum: os distritos que alcançaram a independência política estão em melhores condições e obtiveram crescimento, realizaram obras de infraestrutura urbana e passaram a oferecer melhores serviços à população.

José de Alencar

Esta não é a primeira vez que se fala que o distrito José de Alencar, em Iguatu, será emancipado. Há quase duas décadas, políticos locais defendem a independência da vila, entretanto há questionamento acerca da viabilidade econômica do lugar. Em face de tantas promessas, os moradores têm dúvida.

A maioria dos moradores sonha e deseja a emancipação, mas fica com um pé atrás. "É o nosso sonho para que possamos crescer e a Prefeitura realizar obras de melhoria urbana porque atualmente está esquecido pela administração", disse a estudante Maria Edigleuma Matos. O estudante Eliaquim Leandro tem dúvida: "essa é uma história antiga. Antes de eu nascer já se falava na possibilidade de emancipação", disse.

A sede da vila parece que parou no tempo. A linha férrea divide o lugar ao meio e a antiga estação de trem há quase duas décadas foi demolida. De um lado e outro da estrada ferroviária há terra e mato. No fim da tarde, um grupo de jovens joga vôlei em um espaço improvisado, e nas calçadas os idosos costumam sentar-se.

O trabalho de encaminhamento da documentação necessária para a Assembleia Legislativa foi feito pelo presidente da Associação Emancipacionista dos distritos de Santa Felícia e Santo Antonio, Ailton Batista Sampaio. "Políticos e cabos eleitorais não queriam e não acreditavam no processo. A emancipação será a vitória do povo", disse Sampaio.

Honório Barbosa
Repórter do Diário do Nordeste

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