sexta-feira, 26 de março de 2010

Centro Sul: Transporte escolar precário


Acopiara. Na região Centro-Sul, o ano letivo chega ao segundo mês de aula e uma realidade que atinge a maioria dos alunos de escolas públicas permanece: a precariedade do transporte escolar. Só nesta cidade e em Icó são conduzidos diariamente 12 mil alunos. Em todo o Centro-Sul, são cerca de 30 mil alunos em caminhões pau-de-arara, por dia. A maioria utiliza camionetas e caminhões tipo pau-de-arara, que causam desconforto e insegurança.

A precariedade do transporte escolar atinge todos os municípios da região. Alunos sentados em tábuas de camionetas e caminhões trafegam nas ruas das cidades e em estradas de chão ou mesmo em rodovias asfaltadas. O risco é constante, apesar dos cuidados em colocar madeiras nas laterais. O desconforto é enorme. A coberta dos veículos evita a incidência direta do sol, mas não diminui o calor.

Quando os alunos chegam à escola depois de cerca de uma hora de viagem ou mais, estão cansados. "É ruim porque doem as costas", disse a aluna Eliana Moreira. Exaustos, o rendimento de aprendizagem cai. "O desconforto prejudica na atenção dos estudantes", observa a professora Francisca Souza.

As irmãs Lúcia e Cristiane Ferreira, que moram na localidade de Três Bodegas, em Icó, todos os dias fazem o percurso de casa para a escola, utilizando uma camioneta. "É muito ruim", disse Cristiane. "O melhor seria um ônibus". Crianças e adolescentes viajam juntas, dividindo o mesmo espaço. Os alunos concordam que o transporte ruim prejudica no aprendizado. "A gente chega cansado, com o corpo doído", disse o estudante Carlos Custódio. "É o jeito viajar no caminhão, mas os nossos pais ficam preocupados".

Os pais também ficam apreensivos quando os filhos saem para a escola. "É o jeito deixar, mas fico rezando para que não aconteça nada", disse a dona-de-casa, Josefa Lima, da localidade de Umari, zona rural de Acopiara. "Eu entrego nas mãos de Deus e peço cuidado".

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