quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pressionado, Arruda pede desligamento da maçonaria

Acusado pelo Ministério Público de comandar o chamado Mensalão do DEM e pressionado por maçons de todo o País, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), pediu desligamento da Loja do Grande Oriente de Brasília, onde ocupava o grau de "mestre". A iniciativa do governador, a exemplo do que ocorreu no DEM, antecipou a decisão de seus colegas de expulsá-lo, por infringir um dos princípios básicos da ordem, que deve ser voltada para o resgate da dignidade das pessoas.

Arruda foi admitido na maçonaria antes de renunciar ao cargo de senador, em 2001, para não ser cassado pelo envolvimento na violação do painel eletrônico do plenário do Senado, na votação da cassação do então senador Luiz Estevão, de Brasília. Na época, além de renunciar ao mandato, Arruda pediu desculpas à população por ter cedido à tentação de dar uma espiadinha nos votos secretos.

Agora, com o escândalo revelado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, em que foi filmado recebendo um pacote de dinheiro das mãos do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, Arruda não foi perdoado pela maçonaria.

No início de dezembro, cerca de 50 membros da Ordem se reuniram para discutir a situação do governador. Saiu dali a constatação que não havia outra alternativa, senão a de expulsá-lo o quanto antes. Arruda acabou poupado da expulsão graças aos maçons com os quais mantém mais proximidade. Eles conseguiram adiar a medida para depois do recesso da Loja Grande Oriente, iniciado no último dia 20. Restou ao governador pedir o desligamento, o que foi feito por carta. Procurada, a assessoria do governador limitou-se a dizer que ele agiu "para evitar constrangimentos".

Em discurso, Arruda pede perdão por 'pecados' no DF

Em discurso durante a posse de diretores do ensino público, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), pediu "perdão" pelo que chamou de erros cometidos no escândalo que ficou conhecido como "mensalão do DEM", segundo reportagem da rádio CBN.

No discurso desta quinta-feira, Arruda reconhece que as imagens em que aparece recebendo dinheiro são fortes e diz perdoar seus adversários. Ele justificou os acontecimentos dizendo ter "pecado" pela "ingenuidade" de ter mantido o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa no governo.

"Talvez, ingenuamente, permiti que esses interesses contrariados ficassem tão perto de nós. Devo também ter cometido erros, é claro. Quero dizer a vocês, de coração mesmo, que eu já perdoei todos que me agrediram. Eu perdoo a cada dia aos que me insultam. Eu entendo as suas indignações pela força das imagens. E sabe porque eu perdoei? Porque só assim eu posso também pedir perdão pelos meus pecados", disse Arruda.

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