O martírio de milhares de retirantes no flagelo da seca de 1932, no Sertão de Senador Pompeu, foi relembrado por mais de quatro mil fiéis na manhã deste segundo domingo de novembro. Segundo os organizadores, praticamente o dobro de romeiros e pagadores de promessas, em relação a última Caminhada da Seca, participou do ritual, realizado pelo 27° ano consecutivo. Mais uma vez homenagearam as santas almas da barragem, como ficaram conhecidas as vítimas da fome e da cólera enterradas no campo santo situado a 3,6 km do Centro da cidade.
Nem havia amanhecido e José Mendes de Sousa, 64 anos, já carregava na cabeça uma cisterna de placa em miniatura. Além do ato religioso, o reservatório domiciliar se transformou no símbolo da redenção do infortúnio sertanejo, a seca. Ao lado do agricultor, o padre Roberto Costa, responsável pela mobilização pastoral, guiava o rebanho humano pela sinuosa estrada do Santuário da Seca. Missionárias empunhavam faixas exaltando a Caminhada e a luta do povo de Deus pela vida e cidadania. Logo atrás a multidão gritava em coro: "As almas do povo são o santo do povo"!
Dessa vez o bispo diocesano, dom João Costa, e o bispo emérito de Iguatu, dom José Doth, também participaram do ritual místico popular. Acompanharam a procissão, caminhando da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores ao Cemitério da Barragem, ao lado do Açude Patu, onde mais de 15 mil retirantes foram mantidos contra a própria vontade, no campo de concentração da Comissão do Dnocs. Ali, em 1921, era iniciada a obra da barragem do Rio Patu, hoje suprindo de água o povo do lugar. Antes de encher, na seca de 1932, o açude foi transformado em um enorme acampamento de retirantes.
DN

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