quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A droga que descobriu o Brasil - Ação federal contra o crack

O Ministério da Justiça anunciou ontem a criação de um grupo dentro do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronaci) para enfrentar a disseminação do crack no país. Além disso, a Polícia Federal promete instalar postos especiais nos estados próximos a fronteiras. Os primeiros serão no Rio Grande do Sul, em Mato Grosso do Sul e no Acre. “Vamos fazer um colóquio nacional, juntando a Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), especialistas e universidades para debater a questão do crack”, afirmou o ministro da Justiça em exercício, Luiz Paulo Barreto.

Segundo Barreto, em todas as discussões realizadas pelo ministério no país, o grande problema apresentado por prefeitos e a comunidade é o crack. “O Correio mostrou que a situação é grave e que, infelizmente, a droga está indo para o interior do país”, afirmou o ministro em exercício. “Temos que ir pelo lado da prevenção, juntando as outras áreas, como a saúde e educação. Essa droga é mais perigosa do que a cocaína, vicia mais rápido e está no dia a dia. Além disso, é preciso ter a repressão. Por isso, vamos instalar postos na fronteira e tentar conter o avanço interno do crack e das quadrilhas”, disse Barreto.

O alerta é nacional. A pedra da morte aumentou índices de criminalidade, pontos de prostituição e a circulação de armas. Especialistas apontam a droga como o maior desafio para a segurança pública. Desde ontem, o Correio mostra, a partir de uma série de reportagens especiais, como o crack invadiu o interior e se tornou uma praga no país, deixando rastro de morte de norte a sul.

Localizada no sertão do Ceará, a 380km de Fortaleza, Iguatu orgulha-se do selo que recebeu no ano passado do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pelas melhorias na qualidade de vida de crianças e de adolescentes. A placa “Município aprovado” na entrada da cidade dá boas vindas aos visitantes e esconde o lado obscuro da cidade de 98 mil habitantes.

Quem convive diariamente com o problema se assusta, como o delegado civil Agenor Freitas, que passou 11 anos longe do município, e há sete meses assumiu o cargo. “O avanço da droga é uma coisa sem precedentes”, diz, ressaltando que o baixo custo do vício é o que mais influencia na disseminação: “É um mercado lucrativo”. No início do ano, a pedra pequena, segundo o delegado, custava R$ 3 e a grande, R$ 7. Hoje, a menor é R$ 5 e a maior, R$ 10. “O crack é a doença do mundo”, sentencia. O problema se repete em outras cidades do interior cearense, como Crato, Juazeiro e Sobral.

Em Acopiara, a poucos quilômetros dali, a droga ainda não é um problema. Mas o avanço da pedra no interior já preocupa o delegado. “Ainda é tranquilo, mas como já temos registros em cidades próximas estamos tomando alguns cuidados.”

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