terça-feira, 20 de outubro de 2009

Iguatu: cerâmicas ampliam produção

Esta cidade é polo de produção de telhas de barro para as regiões Centro-Sul e Cariri e para os Estados de Piauí, Paraíba e Pernambuco. A qualidade da argila e a experiência de décadas de fabricação resultam em uma peça de qualidade, reconhecida pelos consumidores. Nesta época do ano, as vendas crescem e, de acordo com os empresários locais, estão 25% acima de igual período de 2008.

Os fornos estão a todo vapor e a fumaça que sai das chaminés das três unidades produtoras locais indicam que o ritmo de trabalho é intenso. No segundo semestre de cada ano ocorre normalmente um crescimento da demanda. Durante a quadra invernosa, que é verificada no primeiro semestre, há uma retração do mercado de construção civil e do consumo de telhas e tijolos de barro. A época de chuva não é favorável para a construção civil, reforma, ampliação ou mesmo edificação de novos imóveis.

A partir de julho, as vendas do setor crescem no sertão nordestino. O financiamento de material de construção por meio de programas de crédito ofertados por bancos públicos aquece a economia regional. Aliado aos investimentos particulares, os negócios têm curva ascendente e animam empresários e também operários.

A produção média das três cerâmicas locais é de 120 mil telhas por dia. Em segundo lugar é o tijolo de bloco (furado). O setor gera 200 empregos diretos. A telha fabricada em Iguatu é reconhecida por apresentar boa resistência. "O segredo está na matéria-prima, a argila, que é de primeira qualidade", explica o empresário Isaías Oliveira. Há mais de 20 anos no setor, Oliveira espera aquecimento nas vendas para os meses de novembro e dezembro. "Está bem melhor do que no segundo semestre de 2008, mas em agosto e setembro passados as vendas foram mais favoráveis", explicou. "Agora caiu um pouco".

A cerâmica Arara, uma das três unidades em funcionamento em Iguatu, produz em média, por dia, 30 mil telhas. Parte das vendas é feita para as regiões Centro-Sul e Cariri e outra metade exportada para os Estados de Piauí, Paraíba e Pernambuco. "No passado, vendíamos mais para outros Estados", observa Oliveira.

O termômetro da comercialização de telha é a cidade de Russas, que lidera a produção no Ceará. Naquela região também houve crescimento no volume de vendas em torno de 30% em comparação com igual período do ano passado. Em Iguatu, o milheiro da telha de primeira é vendido por R$ 300,00 e o de segunda, por R$ 280,00. Já o tijolo de bloco é comercializado por R$ 380,00. O curioso é que o preço subiu tanto no período invernoso, quanto agora, quando registra-se maior produção e venda favoráveis.

Esta cidade deve ganhar, até o fim do próximo mês, uma unidade moderna produtora de telha e tijolo. Utilizando forno contínuo, terá capacidade de produzir até 100 mil unidades diárias em dois turnos. "O mercado é favorável e esperamos realizar bons negócios", disse o empresário Antônio Luís Teixeira. "O nosso foco será a produção de telhas", adianta.

O sistema produtivo a partir do forno contínuo favorece o meio ambiente, pois vai utilizar a metade de lenha necessária para queimar um milheiro de telha em fornos tradicionais.

"É um modelo econômico e ecológico", observa Teixeira. "Vamos começar com uma produção média diária de 60 mil telhas", afirma, confiante.

Honório Barbosa
Diário do Nordeste

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