Conheci-o na década de 50 em Acopiara, quando muitas pessoas ainda chamavam a cidade pelo nome de Afonso Pena. Antônio Geovane Alencar depois tornou-se juiz com atuações nas Comarcas de Russas (Região Jaguaribana) e Fortaleza, nesta como titular da 9ª Vara Criminal. Geovane, aos 64 anos, morreu nesta Capital acometido de câncer, no último sábado deixando a família, parentes e amigos atônitos. Ele foi o menino bom de Acopiara. Membro de uma família, sem sombra de dúvida, pacata e honesta. Seus pais José Alencar e Maria de Lourdes (dona Delourdes) encaminharam o filho, como também os outros, para a educação. Geovane ainda jovem abraçou a magistratura.Foi no campinho de terra batida, ao lado da cadeia pública de Acopiara, próximo ao alto da antiga Prefeitura, que Geovane e a meninada, na época, se reuniam, às tardinhas, para mais uma pelada. Eu, vindo da cidade vizinha de Catarina para estudar no Grupo Escolar Monsenhor Coelho, também fazia parte daquele racha. Tudo era mil maravilhas. Beleza pura.
Na década de 60 voltei a me encontrar com Geovane em Acopiara, às vezes nas festas no Clube Social animadas pela orquestra de Néo Miranda, onde dividíamos a mesa com os amigos Alvim, Antônio Celso, Franco (já falecidos), Jackson e Humberto, entre outros no bar do Emídio Calixto (no centro da cidade), reduto da moçada acopiarense, a maioria “peruando” os jogos de sinuca.
Depois voltamos a nos encontrar com mais frequência em Fortaleza, muitas vezes no hotel da rua 24 de Maio (centro da Capital), onde eram hospedados estudantes de Acopiara, Iguatu e Catarina.
Na missa de corpo presente na Ternura, não faltaram os amigos de Geovane. Um momento de emoção e lágrimas ocorreu depois do ato litúrgico, quando a irmã dele, Gleuda falou lembrando a casa da família em Acopiara. “No fundo do quintal, sob as goiabeiras inventamos um circo sem platéia. Getúlio era o trapezista, Geovane, o palhaço e eu a baiana”. Frisou a irmã, acenando para uma reflexão de vida, acrescentando que tudo aquilo traduzia um mundo infantil de brincadeira infantil, numa solidariedade em família, muito diferente do mundo, que vivemos. Comigo fica a saudade do grande amigo.
Landry Pedrosa. Repórter do Núcleo Cotidiano
Fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/ceara/869124.html
Um comentário:
Tive o prazer de estagiar e aprender muito com o Dr. Giovanni na 9a Vara Criminal de Fortaleza por 3 meses, até então não o conhecia e nem sabia que ele era meu conterrâneo. Quando ele soube que eu era de Acopiara, ele fez muita festa, demonstrando o seu amor pela sua terra. Dr. Giovanni era uma pessoa muito inteligente, cheio de vida, humilde e inteligente. Me impressionava o amor que ele tinha por Acopiara.
Irá deixar saudades.
Rafael do Vale
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