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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Nova queda da Selic deve aquecer mercado imobiliário no Ceará

A menor taxa de juros da história do Brasil, estabelecida em 2% ao ano ontem (5) pelo Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do Banco Central, deve estimular o mercado imobiliário local ao possibilitar uma redução ainda maior das taxas de financiamento para aquisição de imóveis, conforme avalia o economista Alex Araújo.

"Essa taxa baixa é como se o Banco Central dissesse aos consumidores que, os que têm alguma reserva de dinheiro, consumam, já que o juros estão baixos demais para investir. Um ótimo exemplo disso é o mercado imobiliário que está surpreso com a boa desenvoltura e tende a ficar ainda mais", explica Alex.

Para o especialista, a nova taxa, além de fomentar o consumo, deve incentivar também a contratação de crédito mesmo com alguma resistência dos bancos em concedê-las durante a crise.

Mas ele pondera que não são todos que sentirão a redução dos custos do crédito. "O efeito dessa taxa em 2% deveria ser sentido por todos, mas deve ser mais palpável a alguns, principalmente os investidores, que serão muito abalados pela retração da renda fixa; as empresas, com uma possível facilidade no acesso ao crédito; e os bancos, que são os pagadores".


Uma aplicação financeira que renda 100% da Selic atual nos próximos 12 meses terá resultado abaixo da inflação esperada pelo mercado. De acordo com o relatório Focus do Banco Central desta semana, a previsão é de inflação em 1,63% no fim de 2020. O número está abaixo da meta de 4%, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Níveis baixos

Em decisão unânime, os dirigentes da autarquia citaram "incertezas" sobre a atividade para reduzir a taxa. Para os próximos meses, o BC sinalizou que os juros seguirão em níveis baixos, mas que há pouco espaço para novos cortes. A Selic no piso histórico reduz ganhos com aplicações financeiras, como a caderneta de poupança e os investimentos em renda fixa.

Com juros a 2% ao ano, o Brasil possui agora o 15º juro real mais baixo do mundo, considerando as 40 economias mais relevantes. Os cálculos são do site MoneYou e da Infinity Asset Management.

Com a atividade sob pressão e a inflação em níveis comportados, a expectativa dos analistas era de que o BC, de fato, cortasse mais uma vez a Selic ontem. No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom do BC qualificou o ambiente para as economias emergentes como "desafiador" e citou a incerteza sobre o ritmo de crescimento do Brasil - em especial a partir do fim de 2020, quando os efeitos dos auxílios emergenciais arrefecerem.

Ao mesmo tempo, o BC alertou que as políticas do governo de resposta à pandemia podem fazer com que a redução da demanda por produtos e serviços seja menor que a estimada, o que poderia dar força à inflação.

Por trás do comentário, está o receio de que programas adotados durante a pandemia - como o auxílio emergencial de R$ 600 - possam se tornar permanentes, elevando ainda mais o rombo fiscal do governo. Com isso, o BC poderia ser obrigado a subir a Selic.

Na visão do BC, enquanto a inflação projetada estiver abaixo das metas - como visto atualmente - não haveria motivos para a Selic subir.

Dólar

Apesar de estar no menor percentual desde o início da série histórica, em 1996, o movimento não deve impactar mais tanto o dólar uma vez que a taxa Selic ainda é superior de outros países que também estão enfrentando as consequências econômicas da pandemia de Covid-19.

"Em alguns países da Europa, por exemplo, registramos a taxa de juros em 0,10% ao ano, em algumas operações. Por isso, mesmo sendo baixa, não é baixa o suficiente para causar uma evasão de moeda estrangeira do País, o que seria responsável por uma suposta alta do dólar", conclui Alex Araújo.

Ontem, a moeda norte-americana fechou em leve alta. O dólar comercial encerrou o pregão vendido a R$ 5,294, com valorização de R$ 0,01 (+0,18%).

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu ontem (5), por unanimidade, reduzir a Selic de 2,25% para 2% ao ano. A medida deve impulsionar o financiamento imobiliário por baratear o crédito.

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