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terça-feira, 17 de março de 2020

Coronavírus: casos triplicam no Ceará, e pico deve ocorrer em abril

Subiu para nove o número de cearenses infectados com o novo coronavírus, ontem (16). É o triplo de casos do dia anterior, no domingo, quando a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) anunciou os primeiros diagnosticados com o vírus pandêmico. Destes, oito são em Fortaleza e um em Aquiraz, na Região Metropolitana.

Assim como aconteceu na China e na Itália, quando a quantidade de pessoas atingidas cresceu a partir da confirmação dos primeiros casos, a previsão é que no Brasil, e no Ceará, o número cresça e atinja o pico entre abril e maio. Até ontem, eram 62 casos suspeitos e 99 descartados aqui no Estado.

"O que o Estado está tentando fazer é reduzir o número de pessoas afetadas e que esse pico seja menor para que comporte no sistema de saúde", declarou o secretário de Saúde do Ceará, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o doutor Cabeto.

A política de redução de danos parte do pressuposto de que os números de casos confirmados devem aumentar nos próximos dias no Ceará, mas que as medidas anunciadas e publicadas, através de um decreto no Diário Oficial, possam proteger os mais vulneráveis (idosos e pessoas com doenças crônicas) e dar prioridade no sistema público de saúde. A orientação do Governo é que os idosos, principalmente os que têm acima de 80 anos, que sentirem falta de ar, "devem ir imediatamente a essas unidades de atendimento que o Estado dispõe". A Pasta deverá oferecer um telefone, a exemplo do 190, para esse tipo de atendimento. A Secretaria alertou a população para que não haja o sentimento de pânico, já que não é todo mundo que será atingido pelo vírus e que enfrentará uma situação grave.

"Nós sabemos que tem pessoas com doenças crônicas, imunodeficiências, que estão sob tratamento de câncer, e que têm acima de 80 anos. Elas estão em risco maior. São esses pacientes que devem ter uma atenção especial. Dentro da metodologia que estamos usando, estamos rastreando a população de maior vulnerabilidade e, através dos casos confirmados, rastreando os contatos para que a gente reduza a disseminação para outras famílias em contato pessoal", explicou Cabeto.

Dos três primeiros pacientes infectados, dois são idosos. Um tem 85 e o outro 82 anos. São de duas famílias. Ambos seguem internados, mas com expectativa de receber alta ainda hoje. O terceiro, de 57 anos, está em isolamento domiciliar.

Mais leitos

De acordo com o secretário, estão sendo oferecidos, no Hospital Leonardo da Vinci, 230 leitos exclusivamente para o atendimento de casos do novo coronavírus. Desses, pelo menos 30 para Unidade de Terapia Intensiva. A quantidade de leitos reservados para a UTI pode chegar a 70, segundo o chefe da Secretaria da Saúde (Sesa). De acordo com o Governo, desde o início da crise, a Secretaria pediu ao Ministério da Saúde autorização para que o Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen), que tem condição técnica, segundo Cabeto, realize os exames dos casos suspeitos de coronavírus. Anteriormente, os casos eram levados ao Pará - o que acarreta em um atraso do diagnóstico que variava de 48 a 72 horas. A medida resultou em uma otimização do tempo da confirmação ou descarte do caso para o próximo passo do tratamento do paciente.

Para chegar ao estágio do exame, o principal sintoma para procurar um médico, de acordo com o Poder Público, é "a falta de ar", principalmente quando envolve idosos e mais jovens com doenças crônicas ou em recuperação de alguma enfermidade. Os pontos de atendimento citados por Cabeto para o primeiro atendimento são as Upas do Vila Velha e do Edson Queiroz, que são as unidades que estão dirigidas ao atendimento dos pacientes suspeitos, assim como o Hospital São José, e os da rede privada.

Nesse primeiro momento, o Estado está fazendo "um plano ativo" de documentação dos casos para o estabelecimento de uma rota de contaminação com objetivo de reduzir o número de contaminados, "que é uma das estratégias mais eficientes no que se refere à redução de contaminação comunitária", declarou o secretário da saúde.

Capital

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, afirmou, após a coletiva de ontem, que os postos de saúde da cidade irão receber 100 novos médicos.

"Todo plano de preparação de assistência está sendo feito em conjunto, um exemplo disso, a gente está dando posse agora em projeto que é parceria Prefeitura e Governo para 100 novos médicos só para postos de saúde de Fortaleza. O IJF teria o quarto andar inaugurado para ser leito de enfermaria agora em abril, vamos mudar o plano. Vamos nessa abertura do quarto andar já abrir 44 leitos de UTI. E o quinto andar, que seria a UTI já em maio, também, pelo menos nesse primeiro momento, funcionará integralmente como UTI. Então, só aí, serão 74 leitos nessa integração Prefeitura e Governo", disse Roberto Cláudio.

Medidas

Para a virologista e epidemiologista da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Florêncio, as medidas tomadas pelo Poder Público estão de acordo com o que vem sendo implementado em outros países, como a China, que conseguiu controlar a epidemia. "O isolamento, juntamente com os hábitos de educação e higiene adotados, são as melhores armas contra o avanço do número de casos", diz a pesquisadora.

Para Caroline, é preciso "sermos cuidadosos ao extremo neste momento em que estamos sob controle do que esperar acontecer um número assustador de casos (como na Itália)". A medida de isolamento pode ajudar a conter os casos que chegam ao Ceará, segundo ela. "A exemplo da China, que agora reporta casos importados apenas, o isolamento é de fato bastante eficaz", diz Florêncio.

De acordo com a pesquisadora da UFC, o medo da população nesse primeiro momento é natural, mas na "medida em que passamos a conhecer mais a doença, o seu agente e sua epidemiologia, o medo dá lugar à razão".

"E assim como o H1N1 ficou comum, talvez a Covid-19 seja também mais um vírus a ter circulação entre os humanos. Ter medo é natural diante uma doença emergente", conta Caroline.

Assim como o secretário de saúde, a professora prevê que o pico epidemiológico da doença no Estado do Ceará ocorra em torno do mês de abril deste ano.

"Nós temos outros vírus endêmicos aqui em Fortaleza, como o vírus sincicial respiratório e o influenza A, que tem o seu pico de atividade no mês de abril (tem artigos que comprovam isso). Se a Covid-19 vai seguir o mesmo comportamento, só o tempo dirá".

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