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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Metade dos contratados no Ceará em 2019 recebia menos de R$ 1.059

Independentemente de idade, sexo ou setor da atividade econômica, 50% dos trabalhadores admitidos no Ceará em 2019 ganhavam menos que R$ 1.059. Análise do Núcleo de Dados do Sistema Verdes Mares, baseada no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, mostra que a mediana do salário dos empregados admitidos no ano passado era R$ 18 menor que a dos rendimentos dos que foram desligados no mesmo período (R$ 1.077).

A discrepância entre os valores recebidos por profissionais admitidos e os desligados que são da mesma faixa etária é maior entre trabalhadores de até 14 anos (jovens aprendizes), que chega a R$ 273. Enquanto metade dos jovens demitidos recebia menos de R$ 743, o rendimento de 50% dos que foram contratados era menor que R$ 470.

Entre os setores da economia, a maior disparidade entre contratados e demitidos foi registrada pela construção civil, que chegou a R$ 40 (mediana de R$ 1.240 entre os desligados e de R$ 1.200 para os admitidos). O professor do curso de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará (UFC) Aécio Alves Oliveira aponta essa diferença salarial como uma lógica do sistema capitalista em que há substituição de mão de obra com menores remunerações.

“A construção civil tem um exército de reserva de trabalhadores. A crise significa aumentar o exército de reserva, ou seja, as pessoas desempregadas deste setor estão aguardando uma vaga na construção. Mas as tecnologias também têm facilitado tarefas neste setor. Se tem uma reserva expressiva, por que pagar o mesmo salário? Não tem porquê. A lógica do lucro aponta nesta direção”, explica.

Na comparação feita entre trabalhadores do sexo masculino e feminino, também existem diferenças. Entre os homens, essa disparidade é ainda maior: enquanto metade dos trabalhadores admitidos no Estado em 2019 ganhava menos de R$ 1.073, os demitidos no mesmo período recebiam menos de R$ 1.103, uma diferença de R$ 70.

Já 50% das mulheres contratadas eram remuneradas com valores abaixo de R$ 1.049, enquanto metade das demitidas recebia menos de R$ 1.059 – em ambos casos, valores menores que os dos homens.

Para o professor da UFC, a tendência do mercado é igualar cada vez mais os salários de homens e mulheres. No entanto, isso acontece pela média de remuneração menor.

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