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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Economia avança 4,75% no CE; baixa base de comparação é o motivo

As marcas da greve dos caminhoneiros podem ser sentidas até hoje no desempenho da economia do Ceará. De acordo com o novo relatório do Banco Central (BC), a atividade econômica do Estado apresentou uma alta considerável na passagem de abril para maio de 2019, de 4,75%. O resultado ficou acima da média nacional, marcada em 3,79% para a mesma base de comparação, levando em consideração os dados dessazonalizados.

No entanto, a evolução fora do padrão é resultado do contraponto com um desempenho muito aquém do esperado no ano passado, causado pela paralisação que afetou toda a cadeia produtiva brasileira. Além disso, de acordo com Nicolino Trompieri Neto, coordenador de Contas Regionais do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado do Ceará (Ipece), o Ceará é muito dependente do modal terrestre para entrada e saída de produtos. Sendo assim, o impacto da recuperação seria, de fato, maior para o Estado do que para o País, já que o impacto da greve dos caminhoneiros foi maior aqui.

Sendo assim, ainda não há garantias de que o resultado de maio acabe consolidando o crescimento do Estado até o fim do ano. Com um desempenho pontual, o Ceará segue acompanhando o rumo da economia nacional, indicando, segundo o Ipece, uma perspectiva de rebaixamento da expectativa do Produto Interno Bruto (PIB). O cenário de estagnação pode ser notado, segundo Trompieri, quando é feita a análise da evolução de abril para maio de 2019. Na variação mensal, o Estado apresentou um leve crescimento, de 0,12%.

"Esse resultado (de 4,75%) é por conta de uma base mais baixa de análise, causada pela greve dos caminhoneiros, e o impacto da greve foi mais forte aqui no Ceará do que no Brasil, porque ainda somos muito dependentes das fronteiras terrestres. Isso afetou muito a produção no Estado", avaliou o economista do Ipece.

Possível solução

Trompieri Neto ainda afirmou que a economia do Ceará está apresentando um comportamento muito semelhante ao do resto do Brasil, respondendo às incertezas do mercado, ainda preocupado com investimentos, e a redução da renda das famílias causadas pela alta taxa de desemprego.

O cenário só deverá mudar quando as reformas estruturais, que tratam da atualização dos modelos da Previdência e do sistema tributário nacional, avançarem no Congresso Nacional. Contudo, os efeitos só deverão ser sentidos a partir do fim do terceiro ou quarto trimestre de 2020.

"No Ceará, a gente está observando um ritmo muito parecido com o do Brasil, então a expectativa positiva para a economia está sendo trazida pelas reformas. Mas esse efeito da Previdência deve ser apresentado mais no fim do ano. Outra iniciativa que ajuda é a reforma tributária, que já está em discussão", disse.

Diário do Nordeste

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