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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Delegado e advogado viram réus após denúncia de corrupção

O delegado Romério Moreira de Almeida, 60, o advogado Hélio Nogueira Bernardino, 64, e o preso Anderson Rodrigues da Costa, 25, viraram réus no processo que investiga suposto esquema de corrupção que ocorria no âmbito do 34º Distrito Policial, no Centro. A denúncia apresentada pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), do Ministério Público do Ceará (MPCE), foi aceita pela Justiça.

O caso tramita na 8ª Vara Criminal de Fortaleza e é referente fatos registrados em janeiro de 2016. Conforme a denúncia, à época, Romério, então titular do 34º DP, teria recebido propina para liberar a devolução de um carro apreendido encaminhado à delegacia. O veículo, apesar de estar em nome de um terceiro, pertenceria a Anderson Rodrigues, acusado de tráfico e condenado por roubo.

Mantido em uma penitenciária de Caucaia, ele seria membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Os acertos teriam sido intermediados pelo advogado Hélio Nogueira.

A descoberta dos supostos arranjos se deu durante investigação conjunta realizada entre o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), também do MPCE, e da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Durante interceptações telefônicas no celular de Anderson Rodrigues, autorizadas pela Justiça, os agentes flagraram conversa, em 26 de janeiro, quando Anderson, seguindo ordens de um traficante identificado somente como “Carioca”, foi designado para fazer uma entrega de crack na Comunidade do Dentão, nas proximidades da avenida Duque de Caxias, no Centro.

A entrega deveria ocorrer às 19h30min, horário em que uma equipe da Polícia Militar foi enviada ao local para realizar a abordagem em flagrante. Anderson, contudo, percebeu a aproximação, estava armado e reagiu.

Atirou contra os policiais e arrancou com o veículo que dirigia, mas acabou furando o pneu após subir uma calçada, na entrada da comunidade. O acusado conseguiu fugir, mas o veículo foi apreendido, bem como documentos pessoais, um celular e R$ 624 em dinheiro. Todo o material foi encaminhado ao 34º DP.

Já no dia seguinte, ainda sob intercepção, em outro número, Anderson procurou o advogado para tentar reaver o veículo. Conforme o promotor Nelson Gesteira, as conversas culminaram no pagamento de R$ 1.500 ao delegado, supostamente entregues pelo advogado Hélio Nogueira, que teria recebido a mesma quantia.

Responsável pela defesa de Romério Almeida, o advogado Leandro Vasques afirmou que ao longo do processo “ficará demonstrada a inocência” do delegado. Ele acusou o Nuinc de agir “em violação ao princípio do promotor natural”, por entender que a denúncia só poderia ter sido feito pelo promotor atuante junto à 8ª Vara Criminal.

Por esse motivo, o advogado alegou que os elementos colhidos a partir da “atuação irregular”, bem como a própria denúncia, devem ser anulados. “Devemos impetrar um habeas corpus nesse sentido”, adiantou. Vasques completou afirmando que não houve irregularidade na liberação do veículo, visto que o carro fora apreendido “por meio de um boletim de ocorrência de natureza não delituosa e foi restituído após uma vistoria”.

“Não houve nenhum acerto com o advogado que requereu a liberação do veículo e nenhuma prova de irregularidade foi colhida ao longo das investigações. As interceptações telefônicas realizadas não demonstram de forma alguma que tenha havido corrupção”, concluiu.

O POVO

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