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terça-feira, 26 de junho de 2018

Cai número de cidades em contingência após a quadra chuvosa no Ceará

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Após a quadra chuvosa (fevereiro a maio) houve uma redução do número de municípios em situação de contingência de abastecimento de água para os moradores. No início deste ano, eram 46. Agora são apenas seis em situação crítica, que podem entrar em colapso até o fim de agosto próximo, e cinco em estado de alerta. Os dados são da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

O quadro mais crítico ocorre em Mombaça, Monsenhor Tabosa, Piquet Carneiro, Deputado Irapuan Pinheiro, Pereiro e Boa Viagem. Outras cinco cidades estão em situação de alerta: Acopiara, Cascavel, Beberibe, Catarina e Ibaretama. Nesses locais há busca de alternativas para evitar escassez de água nas fontes de captação (açudes e poços).

A Cagece atende a 151 cidades da Região Metropolitana de Fortaleza e do Interior. Outras 33 são abastecidas por sistemas autônomos municipais (SAAE). "O quadro melhorou bastante em comparação com o período anterior à quadra chuvosa", pontuou o superintendente de Negócios da Região Sul da Cagece, Jacinto Leal. "Houve aumento no nível de alguns poços e recarga de reservatórios". A quadra chuvosa que findou em maio passado foi irregular, mas as precipitações ficaram dentro da média no Estado e a exemplo de 2017, o Centro-Norte foi mais beneficiado. A área mais crítica continua sendo o Sertão Central.

"As chuvas foram irregulares, mas trouxeram alívio para o quadro de desabastecimento que se desenhava no início deste ano", observa Leal. "Estamos mantendo as mesmas ações e o nosso esforço é garantir o abastecimento das sedes urbanas", explicou.

O diretor da Cagece chama a atenção para o fato de que mediante a crise, os moradores se adaptaram, reduzindo o consumo de água, e os técnicos dos órgãos envolvidos em assegurar a distribuição de água para as famílias, encontraram alternativas e soluções efetivas, que servem, hoje, de modelo. "Essa crise que vem desde 2012 está sendo um aprendizado para todos nós", pontuou.

Em Mombaça, o quadro é crítico. Mais poços profundos foram perfurados e alguns interligados, mas a tendência para os próximos meses é de redução na oferta. O nível do lençol freático tende a baixar. O açude Serafim Dias está praticamente seco e a Cagece faz manobras, rodízio na distribuição de água. A cidade de Pereiro, que está localizada em uma serra, no Vale do Jaguaribe, ainda aguarda a conclusão de uma adutora que está sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs).

O açude Adauto Bezerra que estava seco obteve uma recarga de apenas 1,5% e a Cagece instalou um flutuante para fornecer o recurso hídrico, embora de forma limitada.

Em Piquet Carneiro, o açude São José está apenas com 0,6%, e em Monsenhor Tabosa, o açude de mesmo nome, acumula somente 0,1%. Essas duas cidades também enfrentam rodízio no fornecimento de água e mais poços profundos foram perfurados na tentativa de ampliar a oferta do recurso hídrico.

Atenção

Segundo levantamento da Cagece, cinco cidades encontram-se em situação de alerta. Acopiara que recebe água do Açude Trussu, em Iguatu, deve ter o fornecimento interrompido em outubro próximo. "Estamos fazendo manobra para esticar esse prazo", revelou Leal.

Esse mesmo prazo foi estipulado para Cascavel, mas há um projeto de implantação de uma adutora emergencial de 20 km de extensão para captar água do Eixão das Águas. Beberibe corre risco de desabastecimento no início de outubro vindouro e há um plano de ação em estudo para encontrar alternativas. O açude Rivaldo de Carvalho (São Gonçalo) na cidade de Catarina estava seco e agora acumula 5,5%. "Foi outro alívio e contamos com poços na localidade de São Bento e de uma captação no açude Buenos Aires", explicou Leal. "Em julho deve ser concluída a instalação de uma adutora emergencial de 60km de captação de água do Arneiroz II, pelo Dnocs", destaca.

Os moradores de Catarina enfrentaram nos últimos anos, a exemplo de Boa Viagem e Pereiro aguda crise de desabastecimento em seus sistemas de distribuição e passaram a depender de caminhões pipa, em decorrência da perda de reservas de água nos reservatórios estratégicos, e de mais perfuração de poços rasos e profundos.

Articulação

Jacinto Leal evidenciou a articulação entre Cagece, Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (Cogerh) e Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra). "O projeto Malha D'água que prevê instalação de adutoras entre cidades e distritos para distribuição de água vai reduzir a perda porque não teremos mais o recurso hídrico escorrendo em calha de rios e riachos e vai trazer melhoria nos abastecimentos", afirmou Leal. "Os caminhões pipa vão ficar para abastecer as comunidades difusas, isoladas dos centros dos municípios", salientou.

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