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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Um campeão nascido em Acopiara. Força de vontade no tatame e na vida

Ao contar a própria história, Gabriel Alves Barbosa, 20, recém-aprovado para o curso de Educação Física em uma universidade particular de Fortaleza, reencontra um dos primeiros amigos, da mesma idade, que conheceu quando se mudou de Acopiara, no sertão Centro-Sul do Ceará, para a Capital. “Ele se envolveu com drogas e já morreu”, abrevia.

Foi a mãe de Gabriel, uma costureira, quem mudou o caminho do filho mais velho ao levá-lo, a contragosto, até a escola de karatê do Instituto Beatriz e Lauro Fiuza (IBLF). Gabriel tinha 13 anos e não se interessava pelo projeto, reconhece. A mãe insistiu, e o karatê foi lhe mostrando que outras realidades são possíveis a jovens da periferia: Gabriel se tornou tricampeão brasileiro na categoria adulto verde-roxa, é bicampeão Norte-Nordeste e campeão cearense.

Diziam-lhe que o esporte ia ser bom para ocupar a mente. Verdade. “Quando comecei a praticar, vi que era aquilo que eu queria, e disse: um dia, vou ser professor de karatê”, traçou.

Gabriel mora com a mãe, que está sem trabalhar por problemas de saúde, e dois irmãos mais novos, no Conjunto Jardim União II, uma parte pobre do bairro Passaré, há dez anos. Ele não fala muito sobre o cotidiano de vulnerabilidades sociais, apenas afirma que “o karatê ensina a não ir à violência”. Vencer exige força de vontade, no tatame e na vida, conquista Gabriel. Ele sabe que poderia ter vivido uma história semelhante a do amigo de infância: “Se eu não tivesse as oportunidades que tive aqui, eu me via em outro mundo: das drogas”. Os incentivos da mãe e dos professores, para que não desistisse, foram fundamentais para ele chegar onde chegou, une: “Sozinho não dá”.

A cada conquista, Gabriel avançava no caminho que traçou ao conhecer o karatê. Em janeiro deste ano, ele se tornou também professor do IBLF e, assim, pode pagar a faculdade. Mas, principalmente, Gabriel pode ensinar a cerca de 60 pessoas, de quatro a 36 anos, o que de mais importante aprendeu no tatame e na vida até aqui: “O respeito com o próximo... ”.

Outra história para fiar

Uma reviravolta na vida. Mais que as medalhas regionais e nacionais, o karatê deu outro rumo para os dias de Gabriel Barbosa, 20

SOBRE O INSTITUTO BEATRIZ E LAURO FIUZA

O PROGRAMA de Karatê Bushi No Te é desenvolvido pelo Instituto Beatriz
e Lauro Fiuza (IBLF) que tem atuação em bairros de alta vulnerabilidade
social. Além das aulas de karatê, o IBLF oferece o ensino de música: o Programa de Música Jacques Klein atende a 400 alunos.

DESDE 2012, o IBFL está na região do Conjunto do Jardim União II, no Passaré. O instituto também mantém atividades na Casa de José de Alencar (em parceria com a Universidade Federal do Ceará) e no bairro Henrique Jorge (em parceria com a Fundação Carlos Pinheiro).
É mantido por doações e tem apoio da Lei de Incentivo ao Esporte (Ministério do Esporte).

ATUALMENTE, 200 alunos, entre quatro e 20 anos, participam das aulas de karatê. A equipe é bicampeã estadual pela Federação Cearense de Karatê Esportivo e, nos últimos dois anos, conquistou 663 medalhas em campeonatos locais e nacionais, informa a assessoria de imprensa do IBLF. Parte dos atletas integra a Seleção Cearense de Karatê.

BUSHI NO TE significa “mãos de guerreiro”. Neste sentido, traduz o IBLF, está “a missão de associar a prática das artes marciais a valores como autonomia, inclusão social e cidadania”. Redução nas taxas de evasão escolar, acesso ao ensino superior e restabelecimento de vínculos familiares são alguns resultados que o programa obtém.

MAIS INFORMAÇÕES: www.iblf.org.br, pelo e-mail info@iblf.org.br ou
pelo telefone 3268 2132.

O POVO Online

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