quarta-feira, 24 de maio de 2017

Maia diz que não pediu Exército a Temer e diz para Jungmann "repor a verdade"

22.mar.2017 - Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no plenário
Depois de comandar reunião com líderes partidários no fim da tarde desta quarta-feira (24), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o prazo do decreto que estabelece ação de garantia de lei e da ordem pelas Forças Armadas no Distrito Federal, assinado horas antes pelo presidente Michel Temer (PMDB), até a próxima quarta-feira (31), é "um excesso, sem dúvida nenhuma".

"Espero que nós possamos hoje ainda, que o presidente possa, pelo menos, reduzir o prazo desse decreto para hoje e apenas hoje", afirmou.


Citado pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, como o autor da solicitação, Maia voltou a negar que tenha pedido que o governo federal acionasse as Forças Armadas e pediu que Jungmann viesse a público para "repor a verdade". Ele afirmou --e sua assessoria divulgou ofício referendando sua fala-- que pediu o uso da Força Nacional.

"Quero aproveitar a oportunidade para esclarecer os fatos ocorridos no dia de hoje. Liguei para Temer pedi a ele que encaminhasse a Força Nacional para dar apoio à Polícia do Distrito Federal. O ministro da Defesa veio à publico e disse que foi um pedido meu. Não é verdade. Já pedi ao líder do governo --Aguinaldo Ribeiro (PP-PB)-- que pedisse ao ministro da Defesa que viesse à público esclarecer os fatos [...] Se o governo decidiu adotar outra medida, isso é responsabilidade do governo", declarou Maia.

"Pedi a Força Nacional porque entendo que a baderna e a confusão não podem prevalecer no ambiente democrático", justificou.

A rusga entre o presidente da Câmara e o Palácio do Planalto ocorre no momento em que Maia tem a responsabilidade de avaliar os pedidos de impeachment apresentados contra Temer, que é alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar os supostos crimes de de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução à Justiça.

Em seguida, Maia voltou ao plenário e reabriu a sessão, às 18h11.

Mais cedo, Maia falou no plenário da Câmara. Sobre a intenção de manter a sessão mesmo com a violência do lado de fora da Câmara, Maia disse que a maioria dos parlamentares quer votar. "Nós queremos trabalhar. As manifestações estão acontecendo, uma parte está violenta, a polícia do Distrito Federal está trabalhando, o governo federal está colaborando. Eu acho que o importante é garantir a segurança", declarou.

Nesta tarde, o plenário da Câmara rejeitou, por 258 votos a 15, o requerimento do PSOL que pedia a retirada de pauta da Medida Provisória 767/17, que aumenta as carências para concessão do auxílio-doença, da aposentadoria por invalidez e do salário-maternidade em alguns casos.

Governo atribui pedido a presidente da Câmara
A declaração sobre o decreto de Temer foi dada no Palácio do Planalto pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, logo após todos os prédios da Esplanada dos Ministérios serem evacuados devido a incêndios no protesto.

Segundo Jungmann, os protestos viraram "baderna". "O senhor presidente da República faz questão de ressaltar que é inaceitável baderna, inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar o processo que se desenvolve de forma democrática e com respeito às instituições", afirmou Jungmann no pronunciamento.

Uol
Postar um comentário