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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Auxílio de R$ 600 prova que distribuir renda é essencial para sair da crise

7.mai.2020 - Pessoas se aglomeram em fila de agência da Caixa em Rocha Miranda, na zona norte do Rio, para sacar o auxílio emergencial - Cléber Mendes/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
Chegamos em setembro e a crise desencadeada pela pandemia do coronavírus parece longe de acabar. Aos poucos, os dados ficam prontos e revelam o tamanho do desastre que enfrentamos: o PIB do segundo trimestre (Produto Interno Bruto, que representa tudo o que o país produziu internamente entre abril e junho) apresentou uma queda de 9,7% frente ao primeiro trimestre deste ano.

As crises na economia capitalista são quase como os tsunamis: acontecem de tempos em tempos, não podem ser previstas com exatidão e os estragos causados só podem ser medidos efetivamente quando a onda gigante passa. Estamos no meio da onda gigante, perdidos entre governantes extremamente negligentes.

O que começou como uma questão de saúde pública rapidamente agravou a crise econômica e política que vivemos desde 2013, pelo menos. A pandemia afetou a economia brasileira profundamente porque abalou uma base estrutural desse país: o trabalho informal. Da noite para o dia, milhões de famílias que dependem do trabalho informal para sobreviver se viram com dificuldades de vender seus produtos e serviços, em função do isolamento. Para parte expressiva dessas famílias, o isolamento não foi uma opção. E o resultado são as imensas taxas de mortalidade nas regiões mais vulneráveis, com menor acesso ao emprego formal.

Na esfera política, por sua vez, o projeto neoliberal (de corte de gastos públicos, privatizações e desregulamentação) iniciado no governo Temer e consolidado por Paulo Guedes se viu limitado pela realidade concreta. Diante da crise econômica instaurada pelo coronavírus, até o mais liberal dos economistas teve que admitir a necessidade urgente de políticas distributivas.

Apesar da grande resistência inicial do governo, o auxílio emergencial de R$ 600 foi o que segurou o Brasil até aqui de cair em uma recessão mais profunda ainda. Bolsonaro tenta, hoje, converter essa medida em ganhos políticos porque sabe que, não fosse esse auxílio, o Brasil certamente teria voltado para o mapa da fome mundial em questão de meses.

Não nos esqueçamos que todas as políticas distributivas implementadas pelo governo até aqui foram cercadas de muita resistência. O bate-cabeça da política nacional, que resiste à aceitação do óbvio, me lembrou a entrevista da brilhante economista Maria Conceição Tavares, para o Roda Viva, em 1995. Nessa entrevista, ela fala:

"Uma economia que diz que precisa primeiro estabilizar, depois crescer e depois distribuir é uma falácia. E tem sido uma falácia. Nem estabiliza, cresce aos solavancos e nem distribui [renda]. Essa é a história da economia brasileira desde o pós-guerra."

Uol

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