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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Construção reforça protocolos para garantir retomada eficaz no Ceará

Após pouco mais de 15 dias desde que retomou as atividades no Estado, o setor da construção civil permanece intensificando ações voltadas para evitar o contágio e propagação do novo coronavírus, buscando adequar as operações aos protocolos de higiene e distanciamento social. Embora o decreto estadual que trata da flexibilização das atividades econômicas tenha permitido que as empresas do setor pudessem dispor de 40% do quadro de funcionários (fase 1), em geral, os canteiros estão operando com cerca de 30% da capacidade, respeitando o limite de 100 operários por obra. A expectativa é que o setor volte com 100% da força de trabalho apenas em julho. Conforme o plano de retomada do Governo do Ceará, as empresas do setor estão autorizadas a voltar com o efetivo total já na fase 2.

“Praticamente, todas as empresas associadas ao Sinduscon estão com até 100 pessoas por canteiro, conforme determinação do Governo”, diz Patriolino Dias, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE). “Nós estamos tendo o cuidado de escalonar os horários de entrada, os horários de almoço e continuamos nessa fase de educação. Algumas empresas estão indo além das exigências do Governo, testando os funcionários (para Covid-19) e elaborando vídeos educativos. Porque esses cuidados são importantes não só no canteiro, mas também em casa”, pontua ele. O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, destaca que a entidade “tem atuado de forma efetiva para garantir o cumprimento dos protocolos sanitários por nossa indústria, evidenciando que a saúde do trabalhador é uma prioridade” e que já foram orientados “centenas de industriais por meio do Observatório da Indústria, que tem atuado fortemente nas indicações para retomada”.

Ricardo Cavalcante reforça que o Serviço Social da Indústria (Sesi) no Ceará está atuando junto às empresas com serviço de assessoria na elaboração e implementação de protocolos institucionais. “Além disso, oferece para as empresas o serviço de atenção primária em saúde através da triagem, testagem e monitoramento dos trabalhadores quanto à Covid-19”, detalha.

Segundo João Fiúza, diretor presidente da construtora Diagonal Empreendimentos e Engenharia, nos canteiros de obra da empresa foram implantadas marcações para que haja distanciamento entre os operários; foram instalados mais lavatórios; e a cada duas horas as máscaras de proteção são trocadas. Também estão sendo realizadas constantes medições de temperatura entre os funcionários, além da exibição de material explicativo. Hoje, a empresa está com sete canteiros ativos e 30% da mão de obra em campo. “Acredito que o setor só retome a 100% em meados de julho”, diz Fiúza.

Sobre as medidas de segurança nos canteiros, Fiúza destaca a contratação de enfermeiros para cada obra. “Diariamente o operário assina um formulário e tem uma conversa mais detalhada com a nossa equipe de enfermagem”, diz Fiúza. “Cada funcionário recebeu no seu WhatsApp um vídeo explicativo que mostra os cuidados a serem tomados desde a saída de casa até os procedimentos após o encerramento do expediente. E distribuímos para cada funcionário um kit de higiene para ele levar para casa”.

Retorno à normalidade
Para André Montenegro, vice-presidente da Fiec e sócio da Morefácil Construtora, o ritmo de retomada do setor deverá acontecer lentamente ao longo das próximas semanas. “Temos grandes obras que, para retomar totalmente, é difícil. Mas em julho devemos estar com toda a capacidade”, ele diz. Montenegro destacou a qualidade do protocolo do setor da construção civil no Ceará, que foi construído baseado na experiência de outros estados que não tiveram suas atividades interrompidas. Por isso, ele acredita que é pouco provável que haja problemas de contaminação no setor.

“Um estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) mostrou que com essas medidas que estão sendo tomadas, a contaminação é muito pequena. Além disso, as empresas estão tomando todos os cuidados e a indústria da construção civil tem uma peculiaridade, os trabalhadores trabalham ao ar livre e não têm contato com os clientes. Então estamos voltando com muita responsabilidade”, explica André Montenegro.

Para João Fiúza, que tem obras em Natal, no Rio Grande do Norte, onde o setor não foi paralisado, as obras no Ceará já poderiam ter voltado antes de julho. “Acho que a gente está voltando até tarde demais. Se nós tivéssemos retornado antes, os prejuízos para a economia e para o Estado teriam sido menores. Com o exemplo que a gente viu em Natal, seria possível ter voltado há mais tempo”. O diretor presidente da construtora Diagonal diz que em um canteiro de obra que a empresa tem na capital potiguar, com 350 funcionários, não foi registrado um único caso de Covid-19.

Capacidade recuperada
Patriolino Dias avalia que a construção civil está bem preparada e, tão logo o Governo libere, os canteiros voltarão com sua capacidade máxima. “As obras são muradas, ventiladas, arejadas. Normalmente, o espaçamento de uma pessoa para outra já é muito grande, não tem aglomeração. É muito melhor para o operário estar na obra do que em casa, ou fazendo bicos, como vinha ocorrendo”, afirma.

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