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sexta-feira, 12 de junho de 2020

239 gestantes e puérperas diagnosticadas com Covid-19 no Ceará

Preparar a chegada de um bebê durante a pandemia do coronavírus traz uma carga extra de preocupação para as mulheres gestantes, visto o medo da contaminação e de possíveis complicações para as mães e os filhos. Em todo o Ceará, 239 pacientes gestantes e puérperas foram confirmadas com Covid-19 durante a pandemia, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).

Segundo o último boletim epidemiológico detalhado da Pasta, até 9 de junho, 9 mulheres gestantes e 8 puérperas morreram por Covid-19 no Ceará. Até maio, a Sesa incluía "gestantes e puérperas" na lista de comorbidades, mas o campo não está mais disponível na plataforma IntegraSUS. A Pasta não informou o porquê da mudança.

Na última terça-feira (9), 17 pacientes, suspeitas e confirmadas, entre gestantes e puérperas, estavam internadas em hospitais da rede estadual, incluindo Hospital Geral César Cals (HGCC) e Hospital Geral de Fortaleza (HGF), ambos na Capital; no Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral; e no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim.

As unidades são "referências em atendimento a gestantes", segundo a Pasta, que não detalhou quantas mulheres eram gestantes e quantas estavam no puerpério, período que abrange cerca de 45 dias após o nascimento. Conforme a última atualização da plataforma IntegraSUS, na tarde desta quinta (11), 66,3% dos leitos de enfermaria para gestantes estavam preenchidos. Por outro lado, não havia nenhuma grávida alocada em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).

Foi numa dessas Unidades que Maryane da Rocha Santos, 31, deu à luz a José Bernardo no dia 8 de maio. O menino nasceu prematuro, aos seis meses, com a mãe sedada pelo agravamento de infecção por Covid-19. Dias antes, ela havia sido internada no Hospital César Cals, com dificuldade para respirar; 50% dos pulmões estavam comprometidos. "Meu filho tá na UTI, mas todo santo dia eu recebo notícias, fotinhas dele", contou a mãe Maryane.

Fisiologia

Sem diagnóstico da doença, a profissional de Educação Física Kalyne Carneiro, 29, gestante de 33 semanas do menino Ravi, conta que tem passado a quarentena totalmente isolada em casa. De saída mesmo, só para as consultas do pré-natal, que foram reduzidas. "Só agora, nos meses mais próximos ao parto, vou ficar indo direto. Quando vou, é de máscara, e assim que volto já tomo banho", lembra. Por querer parto natural, ela também busca estar em dias com a saúde porque sabe que "a grávida fica com imunidade baixa".

Ainda em abril, o Ministério da Saúde incluiu gestantes e puérperas no grupo de risco da Covid-19. A ginecologista e obstetra Liduína Rocha, presidente da Associação Cearense de Ginecologia e Obstetrícia (Socego) e coordenadora do programa Nascer no Ceará, explica que complicações e desfechos ruins têm risco aumentado especialmente no primeiro e terceiro trimestre da gravidez, bem como nas puérperas, "em função provavelmente das próprias mudanças fisiológicas".

"A recomendação é que aquelas que adoecem sejam encaminhadas a maternidades ou a hospitais gerais com maternidades, não para leitos da população geral. As unidades se organizaram para ter dois fluxos, um com a triagem para suspeita de síndrome gripal e outro para as assintomáticas", diferencia a médica obstetra.

Liduína lembra que, por algum tempo, se afirmou que a transmissão direta do coronavírus da mãe para bebê (conhecida como transmissão vertical) não era factível, "mas agora alguns estudos mostram essa possibilidade. Não parece ser muito comum, mas se pesquisa já com algum alerta", diz. Ela afirma que a maioria dos bebês infectados se contaminou depois do parto - no Ceará, foram 479 com menos de um ano de idade até 8 de junho -, por isso é preciso ter ainda mais cuidado no contato íntimo, com a mulher de máscara e mantendo a higiene das mamas e das mãos.

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