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sexta-feira, 13 de março de 2020

Menina de 2 anos morre afogada em creche, no Ceará

Uma criança de dois anos e quatro meses de idade morreu após se afogar na piscina de uma creche-escola particular onde estudava, na Rua Suécia, no Bairro Itaperi, em Fortaleza, nesta quinta-feira (12).

De acordo com o tio da vítima, o servidor público Leonardo Augusto Oliveira, o caso aconteceu por volta do meio-dia. As crianças estavam em uma sala de descanso, para repousar após o almoço, quando a professora que cuidava da turma se ausentou, diz o tio, ressaltando que as informações do ocorrido foram repassadas pela própria diretora da escola. Clarisse Oliveira Fernandes era diagnosticada com autismo.

A menina chegou a ser socorrida para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, em seguida, foi transferida para um hospital particular da capital, mas não resistiu e faleceu por volta das 23h40.

A diretoria da escola foi procurada pela reportagem, mas não retornou as ligações e não respondeu às mensagens. O prédio da unidade de ensino está fechado, conforme constatou a equipe de reportagem. A Secretaria da Segurança Pública informou que o 5º Distrito Policial (DP) já está apurando "as circunstâncias referentes à morte".

Menina chegou à piscina por "brecha", segundo tio

A família se dirigiu até a creche para saber detalhes do afogamento, tão logo soube do que aconteceu.

“Ela (diretora) informou que a Clarice estava na sala de descanso quando a professora saiu da sala para dar o almoço das crianças mais velhas e ao retornar não encontrou minha sobrinha”, afirma.

Foi neste momento que a menina saiu do local e foi em direção à piscina, onde fazia natação. O portão que daria acesso à piscina estava fechado, mas havia uma brecha, por onde a menina passou.

Segundo Leonardo, a brecha se tratava de uma intervenção parada na escola, que previa a instalação de um portão de alumínio. No local, seria colocado um trilho do portão de alumínio que daria acesso à garagem.

Aviso tardio

Os pais de Clarice foram informados do acidente por um funcionário da escola somente quando ela já estava em atendimento na unidade hospitalar.

“O pai de outra criança e um funcionário prestaram os primeiros socorros e em seguida levaram ela para a Upa. Quando minha irmã e meu cunhado chegaram lá ela estava com parada cardiorrespiratória e foram feitos cinco ciclos de reanimação até ela reagir”, relata Leonardo.

12 minutos submersa

Ainda segundo Leonardo, a creche possui câmeras de segurança e, após ter acesso individualmente ao conteúdo, a diretora informou aos familiares que a menina passou 12 minutos submersa até ser resgatada pelos funcionários, após buscas nas dependências da escola.

A família solicitou as imagens, porém teve o pedido negado pela diretora, que estava acompanhada de uma advogada. “Ela foi resistente e não nos mostrou os registros”, garante o familiar.

"Absolutamente revoltante"

Leonardo informa ainda que a escola levou a criança para uma unidade de saúde, mas não se disponibilizou a prestar mais nenhum tipo de apoio à família.

"A escola não manteve nenhum tipo de contato com os pais. Tentamos hoje e não conseguimos. A própria delegacia disse que a escola está fechada e a diretora incomunicável"

Para o tio de Clarisse, a morte da sobrinha é uma situação "absolutamente revoltante". "A nossa família está imersa em dor e indignação. A impressão que temos é de que não acordamos de um pesadelo. Que outras famílias não passem pelo o que estamos passando nesse momento".

Os pais da criança registraram um Boletim de Ocorrência sobre o caso no 11º Distrito Policial, plantonista da região, mas o caso foi transferido para o 5º DP. Clarisse era filha caçula e deixa uma irmã de sete anos.

O velório da criança está marcado para acontecer neste sábado (14), no cemitério Parque da Saudade, em Caucaia.

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