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terça-feira, 17 de março de 2020

Maioria dos infectados pelo coronavírus no Ceará tem mais de 60 anos de idade, afirma Dr. Cabeto

A maioria dos pacientes infectados com o novo coronavírus no Ceará são pessoas com idades acima de 60 anos. Todos os nove pacientes que testaram positivo para o Covid-19 no Estado voltaram de viagem ao exterior ou tiveram contato com quem havia acabado de regressar de viagens - em especial à Europa e Estados Unidos.

A afirmação é do secretário da Saúde do Ceará (Sesa), Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Dr. Cabeto), em entrevista ao Sistema Verdes Mares (SVM), nesta terça-feira (17).

A contaminação dos pacientes no Ceará que não estiveram no exterior ocorreu, mais precisamente, por meio do contato com pessoas que realizaram as viagens a outros países e vivem em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, estados com os quais o Ceará mais mantém relações, explicou Dr. Cabeto.

Apesar dos casos registrados, ele garante que o quadro de saúde de todos os pacientes infectados está "sob controle".

Casos no Ceará

De domingo (15) para segunda-feira (16), o número de casos confirmados no Estado triplicou, passando de três para nove, conforme o último boletim divulgado pela Sesa. Os casos investigados chegam a 62, enquanto 99 foram descartados.

O pico da doença no Estado, porém, deve ocorrer entre abril e maio, prevê Dr. Cabeto. Apesar da perspectiva, para Cabeto não é necessário pânico. Para ele, o importante é que a sociedade esteja ciente de que o mundo inteiro atravessa um momento delicado.

"É fundamental que a sociedade tenha consciência (da doença), não ache que é uma coisa simples, pra que a gente não seja pego de surpresa em situações catastróficas, como a gente vê em outros países".

Medidas

Para a virologista e epidemiologista da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Florêncio, as medidas tomadas pelo Poder Público estão de acordo com o que vem sendo implementado em outros países, como a China, que conseguiu controlar a epidemia. "O isolamento, juntamente com os hábitos de educação e higiene adotados, são as melhores armas contra o avanço do número de casos", diz a pesquisadora.

Para Caroline, é preciso "sermos cuidadosos ao extremo neste momento em que estamos sob controle do que esperar acontecer um número assustador de casos (como na Itália)". A medida de isolamento pode ajudar a conter os casos que chegam ao Ceará, segundo ela. "A exemplo da China, que agora reporta casos importados apenas, o isolamento é de fato bastante eficaz", diz Florêncio.

De acordo com a pesquisadora da UFC, o medo da população nesse primeiro momento é natural, mas na "medida em que passamos a conhecer mais a doença, o seu agente e sua epidemiologia, o medo dá lugar à razão".

"E assim como o H1N1 ficou comum, talvez a Covid-19 seja também mais um vírus a ter circulação entre os humanos. Ter medo é natural diante uma doença emergente", conta Caroline.

Assim como o secretário de saúde, a professora prevê que o pico epidemiológico da doença no Estado do Ceará ocorra em torno do mês de abril deste ano.

"Nós temos outros vírus endêmicos aqui em Fortaleza, como o vírus sincicial respiratório e o influenza A, que tem o seu pico de atividade no mês de abril (tem artigos que comprovam isso). Se a Covid-19 vai seguir o mesmo comportamento, só o tempo dirá".

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