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segunda-feira, 2 de março de 2020

Exportações via aérea caem 36,14% no CE em 2020

O enfraquecimento da indústria nacional na exportação de produtos de alto valor pode ser visto dos céus. A via pela qual o Brasil exporta e importa os produtos mais caros vem perdendo participação no comércio exterior. E o cenário não é diferente no Ceará. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, o envio de cargas para fora do País por meio de aviões a partir do Ceará caiu 36,14% em janeiro de 2020 em comparação a igual período do ano passado.

O volume total de cargas movimentadas pelo Aeroporto Internacional de Fortaleza, no entanto, puxado pelas importações, cresceu, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O levantamento do Ministério da Economia apontou que, em janeiro, o Ceará exportou um total de US$ 1,832 milhões por via aérea. Em igual mês de 2019, o número havia chegado ao patamar de US$ 2,870 milhões, indicando a queda. Em 2018, as cargas transportadas para fora do País, pelo Ceará, chegaram ao patamar de US$ 2,999 milhões. No contrafluxo, as importações por via aérea tiveram um salto considerável de 156,37%, passando de US$ 6,452 milhões no primeiro mês do ano passado para US$ 16,542 milhões, em janeiro de 2020.

Essa movimentação pode ser vista como um reflexo do aumento nas exportações de produtos básicos, como os agrícolas, que são exportados principalmente por via marítima, mas também do recuo na venda de bens industriais. "O debate é a qualidade do crescimento da nossa pauta de exportações. Hoje, exportamos café in natura de barco e importamos a cápsula de café, que vem de avião", destaca o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o porcentual transportado por aviões, no País como um todo, passou de 18,7%, em 2000, para 11,1% em 2018. Nos Estados Unidos, essa fatia é de 27,5%. Na União Europeia, salta para 33, 1%.

O valor médio de cada quilo exportado pelo modal aéreo é de US$ 9,4, enquanto no marítimo essa cifra cai para US$ 0,3 e, no rodoviário, US$ 2,2.

"Essa é uma agenda que tem uma dimensão muito importante para a indústria, justamente porque é o modal que transporta produtos de maior valor agregado", explica a gerente de política comercial da CNI, Constanza Negri.

Preocupações

O avanço do coronavírus é um novo fator que, segundo os especialistas, pode agravar essa situação. A doença, que já ameaça o transporte aéreo de passageiros, pode levar à redução no comércio mundial e prejudicar os embarques de produtos de maior valor agregado. Para Negri, a redução de barreiras, a melhoria da infraestrutura e a ampliação de acordos internacionais poderiam ajudar a aumentar o comércio pela via aérea e reverter esse quadro. "A CNI está monitorando quais serão os impactos", afirmou.

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