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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Cagece pode não ter o melhor retorno com modelo atual de IPO

O mercado pode não receber tão bem a estratégia de abertura de capital da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) na Bolsa de Valores. Segundo os economistas consultados pela reportagem, além de indicar uma abordagem conservadora, considerando a escolha de extinguir um tipo de ação, o processo sugere que não haverá uma mudança grande no perfil de controle da empresa, mantendo o Governo do Estado e a direção da companhia como responsáveis principais pela tomada de decisão.

Essas preocupações se baseiam no fato de a Cagece, pelo texto publicado no Diário Oficial do Estado do Ceará, estar extinguindo as ações preferenciais de classe B e, aparentemente, concentrando a emissão de títulos em ações preferenciais de classe A. Além disso, a Companhia deverá estabelecer uma ferramenta de conversão voluntária das ações ordinárias em ações preferenciais.

Para o presidente do Conselho Regional de Economia no Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, a estratégia adotada é conservadora e deverá ser usada apenas para inserir a Cagece no mercado de ações. Ele acredita que, no futuro, mais ações ordinárias serão ofertadas. "A estratégia talvez seja lançar as ações preferências para testar o mercado e quando a empresa já estiver estabilizada fazer o lançamento das ações ordinárias. Pela empresa ser majoritariamente pública, esse primeiro lançamento seja apenas inserir a empresa no mercado", disse.

O impacto dessas decisões está no fato de que as ações preferenciais, ao contrário das ações ordinárias, não dão direito a voto no comitê da empresa. A decisão, segundo analistas do mercado financeiro, pode ter sido tomada para manter o controle do Poder Público sobre a Companhia durante o processo de abertura de capital. A estratégia seria usar essa primeira emissão de títulos como termômetro do mercado para, no futuro, ofertar mais ações ordinárias.

Perspectiva de retorno

Contudo, dentro da classificação das ações preferenciais, os papéis de classe A ofertam um retorno um pouco menor dos dividendos para os investidores. Em comparação com as ações preferenciais classe B, as classe A representam um recebimento mínimo dos lucros que são compartilhados com os acionistas. As ações preferenciais classe B oferecem um pagamento de dividendo fixo e pré-estabelecido.

Caso essa estratégia seja consolidada na assembleia geral da companhia, na qual serão aprovadas essas definições, o impacto do IPO poderá ser menor do que se a oferta de ações concentrasse um número maior de ações ordinárias. Para Célio Fernando, economista e presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) no Nordeste, isso não representa que a abertura de capital da Cagece não terá sucesso.

Mas ela poderá atrair um volume menor de recursos, que seria usado em novos investimentos. "O mercado precifica tudo e a empresa tem de dar lucro, então é melhor que o controle vá para a iniciativa privada e você conseguiria isso com uma oferta maior de ações ordinárias. O importante é dar capacidade à Cagece de atrair os investimentos", ponderou Fernando. "Eu acredito em um modelo que oferece condições clássicas de mercado", completou.

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