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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Baixo volume do Açude Orós impacta na colheita de arroz irrigado

O período correspondente entre o fim de dezembro e início de janeiro era celebrado, por pelo menos 200 agricultores e trabalhadores rurais, devido ao robusto volume da colheita de arroz na bacia do Açude Orós. As boas safras, no entanto, ficaram no passado. Se em 2012 a área de cultivo se aproximou aos dois mil hectares, neste ano, caiu para menos de 80. A perda de volume de água no segundo maior reservatório do Estado é o motivo para a queda substancial.

"A água está muito distante das terras, não é viável economicamente, por isso, quase todos desistiram da atividade", explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva. Ele acrescenta que "nos últimos três anos a produção de arroz praticamente acabou".

O impacto dessa redução é sentida diretamente na economia local. Com a queda na renda das famílias de agricultores, o comércio varejista na cidade apresentou retração nos últimos anos, conforme a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Orós.

Resistência

A alternativa que um pequeno grupo de produtores encontrou foi perfurar poços no leito do Rio Jaguaribe, dentro da bacia do Orós, para tentar manter a atividade. Na localidade de Baixas, oito agricultores estão conseguindo cultivar 75 hectares. No fim de dezembro, foram colhidas 120 toneladas. Número considerado pequeno em comparação a anos anteriores.

Em 2012, a produção estimada de arroz irrigado na bacia, segundo o escritório regional da Ematerce, foi de duas mil toneladas. No ano seguinte, foram colhidas mil toneladas do grão em casca, o que representa queda de 50%.

Em temporadas posteriores houve baixas sucessivas, até chegar em 2019, ano em que a produção não ultrapassou 130 toneladas - sendo a maior parte colhida na localidade de Baixas. O agrônomo da Ematerce, Jaime Uchoa, lembra que a bacia do Açude Orós e as várzeas do Rio Jaguaribe em Iguatu e Quixelô formavam uma das maiores áreas de produção de arroz irrigado no Ceará. "Gerava centenas de empregos e renda no campo", afirma. "Nesta época do ano, entre dezembro e janeiro, os produtores tinham trabalho e dinheiro no bolso, mas infelizmente acabou, hoje é outra realidade".

A esperança dos rizicultores é de que as chuvas, escassas nos últimos anos, retornem.

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