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terça-feira, 26 de novembro de 2019

A cada 10 doadores no Ceará, 7 fazem doação múltipla de órgãos, diz associação de transplantes

No Ceará, 845 pessoas doaram órgãos entre os anos de 2015 e 2018. Desse total, 603 tiveram vários órgãos transplantados a pacientes. O que equivale a 71,36% do total de doadores. Em 2019, de janeiro a setembro, foram registrados 116 doadores de múltiplos órgãos. Os dados são da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).

A coordenadora da Central de Transplantes do Ceará, Eliana Barbosa, explica que os números poderiam ser ainda maiores, mas que a doação múltipla no Brasil tem critério restrito. “A retirada de órgãos aqui só pode ser realizada quando há o diagnóstico de morte encefálica. Em alguns países desenvolvidos, como Espanha e Estados Unidos, eles tiram órgãos de doadores em parada cardíaca. Aqui no Brasil, se o coração para e tudo é mantido artificialmente, mas não há morte encefálica, perdemos os órgãos”.

De acordo com Eliana Barbosa, a capacidade de contribuição de um paciente vítima de morte cerebral para salvar ou melhorar outras vidas pode ser ainda maior, mas requer estrutura. “Para retirada de alguns tecidos, precisamos de um banco de multitecidos. No Ceará, temos de córnea e de cordão umbilical – este queremos transformar em um de multitecidos, mas ainda é um projeto incipiente, está em discussão”, relata.

Uma só pessoa com morte encefálica – e cuja doação dos órgãos e tecidos é autorizada pela família – é capaz de beneficiar até 60 outras vivas, explica Eliana. “Órgãos para doar são dois rins, dois pulmões, um fígado, o pâncreas, o coração e o intestino. Mas quando entram tecidos, como válvulas cardíacas, pele, ossos e córneas, pode beneficiar um leque bem maior de receptores”, afirma.

Solidariedade
A professora aposentada Marilena Menezes, 53 anos, passou pela experiência de autorizar a doação múltipla de órgãos do marido Carlos Alberto da Silva, vítima de acidente de trânsito. Com morte cerebral atestada, foi possível doar seis órgãos a pacientes que necessitavam de transplantes.

“O pessoal do hospital me chamou e, naquele momento, eu disse que não permitia. Depois, liguei pra mãe dele e ela disse que poderia doar, porque, desse jeito, ele poderia ajudar tantas pessoas que estavam esperando na fila, e ela teria essa lembrança”, relembra

Foram doados, o coração, as córneas, os rins e o fígado de Carlos Alberto. Com isso, pelo menos, cinco pessoas ganharam uma nova oportunidade de viver. “Insisti pra descobrir quem eles eram e reuni todos na missa de um mês de morte.".

G1 Ceará

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