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segunda-feira, 22 de julho de 2019

Influenciadoras digitais do Ceará não temem mudanças no Instagram

Na última quarta, 17, o Instagram anunciou que iria esconder as curtidas em fotos no feed e visualização em vídeos no Brasil, assim como já havia feito no Canadá. Muitas influenciadoras digitais não gostaram. Algumas, além do desespero resolveram criar formas “criativas” de “burlar” a mudança. Porém, nem todo mundo está preocupado. Ao menos no discurso, as influenciadoras aqui do Ceará seguem tranquilas.

Solange Almeida, cantora, tem 5,9 milhões de seguidores no Instagram. Quando soube da mudança, ficou surpresa, mas não acredita que para ela irá mudar muito. “A internet está doida, tão bitolada com esse negócio de curtida que, de verdade, é indiferente. Quero que a mensagem que eu publico seja alcançada”, afirmou.

Porém, Solange mostrou preocupação com as pessoas que vivem disso, as influenciadores digitais. “Agora tem pessoas que vivem de curtida. Eu nem tanto. Para mim é uma surpresa e isso vai mudar a vida de muita gente, mas a minha não. Para as digital influencers vai mudar muito porque elas vivem do número de curtida e de alcance. É doido isso”, encerrou.

A influenciadora digital Mileide Mihaile, com 3,7 milhões de seguidores, está tranquila. Mileide disse que é preciso ficar atenta as mudanças que frequentemente irão acontecer no mundo online. “Isso ainda é mais frenético (nas redes sociais) e sabemos que impacta a sociedade e principalmente quem trabalha com o mundo digital. Acho importante fazerem alterações que melhorem o desempenho nas redes, e é natural que os usuários se adaptem”, afirmou sobre as mudanças.

Segundo a influenciadora, ainda é cedo para saber o que vai acontecer com essas mudanças. Porém, ela já começou a analisar o novo cenário. “É preciso perceber as mudanças, a reação do público e pensar em outras formas de trabalho. Muita coisa pode mudar ainda e junto com minha equipe, vamos analisar a melhor forma de continuar com a presença digital relevante para nossos seguidores e gerar os melhores resultados para nossos parceiros”, finalizou.

Enquanto isso, os usuários comuns que interagiram conosco aqui no blog Na Rede em sua maioria aprovaram a medida. Eles acreditam que isso será bom em relação até a saúde mental de quem está na plataforma. “Nossa, muito bom. Tem muita gente doente por curtidas. Isso vai trazer mais saúde mental pras pessoas”, disse Sara Meyre, em comentário no blog. “Adoooorei… Isso vai evitar competições e prezar a saúde mental de algumas pessoas, e quem sabe agora as pessoas parem de preocupar com likes e se preocupam mais com o conteúdo”, disse Jéssica Yasmin, também nos comentários.

Especialistas
Segundo Fabricio Macias, CEO e fundador da Macfor, consultoria de marketing de alta performance, tanto os influenciadores quanto as empresas precisam se preocupar agora totalmente em produzir conteúdo relevante e parar de se preocupar com números. “Entregar conteúdo de real valor tanto para seguidores quanto para os parceiros. Algo que mude realmente a vida delas, pensando em seguidores, e algo palpável para parceiros com métricas. No geral, focar mais na qualidade”, afirma.

Para Macias, empresa alguma poderia ficar focada apenas em curtidas. Isso era um número muito fraco e enganador para basear o investimento delas no influenciador digital. “O Instagram não está precisando tanto monetizar. Eles alteraram os algoritmos, especialmente de alcance orgânico para entregar mais resultado financeiro para acionistas. Agora são bilionários e estão preocupados em melhorar experiência do usuário e isso é foco do Facebook (Instagram faz parte do grupo do Facebook). Eles querem que o usuário não clique em links externos e fique mais tempo na rede social. Facebook quer que você tenha uma experiência agradável e contínua e que ele se perpetue no poder”, completa.

Rafael Coca, sócio-fundador da Spark, especialista em estratégia de conteúdo digital e ativação de marcas com influenciadores, explica que a alteração é positiva e reforça o protagonismo da originalidade do conteúdo como gatilho para geração de engajamento com os seguidores.

“Essa medida impulsiona a criação de conteúdo, pois diminui o risco de ‘não exposição’, como algumas pessoas entendem acontecer se um post não atinge o volume de likes esperado. A ideia é que a publicação seja mais original e não pensada apenas em gerar curtidas”, explica Coca.

Sob a ótica de mensuração de resultados do detentor do perfil, não mudará, uma vez que o influenciador segue tendo acesso ao número de likes e visualizações de seus posts. “Ele continua enxergando todos os dados de performance para calibrar sua criação de conteúdo”, completa.

E agora?
É isso. Os testes já tiveram início. Se o Instagram vai manter assim ou reverter a mudança só saberemos com o tempo. Acredito que até o final do ano teremos uma resposta definitiva. Particularmente, creio que eles não vão voltar atrás. Quem trabalha com isso terá um trabalho extra para mostrar aos clientes que pode ser uma boa forma de divulgação. As empresas terão que cobrar mais dos influenciadores. E nós, usuários comuns, seguiremos usando para nos divertir e divulgar os momentos da nossa vida e nada mais.

Diário do Nordeste

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