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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Festas juninas movimentam cerca de R$ 130 milhões no Ceará

Danças ao redor da fogueira, músicas regionais e superstições. É no início do sexto mês de cada ano que se iniciam as festas juninas, mas a preparação dos grupos começa bem antes. Além de alegrar a população, as festividades também geram vagas de empregos temporários e colaboram para movimentar a economia local.

De acordo com a Federação de Quadrilhas do Ceará (Fequajuce), o setor movimenta cerca de R$ 130 milhões em junho no estado. Em média, 8 mil profissionais especializados, das pessoas que fazem o figurino, às empresas de transportes, de montagem das estruturas, garantem emprego no período junino temporariamente.

Com o tema “É Tudo Verdade”, a quadrilha Ceará Junino vai contar neste ano a história de quatro pescadores que, em 1941, saíram da Praia de Iracema até o Rio de Janeiro para reivindicar os direitos da categoria. O objetivo é retratar a saga dos trabalhadores do mar e refletir sobre o preconceito e a desigualdade social.

Reunindo 50 casais, o grupo tem uma média de gastos de aproximadamente R$ 600 mil por temporada.

Para ajudar no pagamento do cenário e a banda que acompanha o grupo nas apresentações, a equipe se organiza e vende os figurinos utilizados no ano anterior para outros grupos. Há também rifas, bingos e festas para que os participantes não precisem mexer no dinheiro das quatro parcelas de R$ 200 que são pagas mensalmente por cada um deles à organização.

A estreia de cada temporada gera expectativa do público, que lota um espaço de com 2.500 pessoas. O que é recebido de prêmio serve para ajudar no custeio dos valores dos dois ônibus que levam toda a equipe para o local do evento. “Angariamos as verbas para pagar as despesas. Une o útil ao agradável”, conta Roberto Sousa, presidente da Ceará Junino.

Para gastar o mínimo possível, algumas pessoas do grupo ministram cursos de bordado e de automaquiagem para os demais. “Durante seis meses, nós mantemos empregados desde a pessoa que faz os sapatos, os cintos, os chapéu, até a pessoa que faz os corseletes, as anáguas e as saias. Não deixa de ser uma fonte de renda para eles”, explica Roberto Sousa.

Paixão pelo São João
Definindo-se como um amante de quadrilhas juninas desde criança, o fisioterapeuta Jonathan Arthur, 28, sempre quis integrar um grupo profissional e competir em grandes festivais. Natural de Belém, no Pará, realizou o que tanto queria em 2011, quando chegou a Fortaleza. Três anos depois, sofreu um acidente de moto, que resultou na amputação do pé direito. A situação que em primeiro momento parecia que ia impossibilitá-lo de continuar a dançar não o desanimou.

Após alguns anos sem pisar nos palcos para apresentar-se junto a uma quadrilha junina, decidiu voltar neste ano, agora com a “Ceará Junino”, por estar se sentindo mais seguro. O jovem diz que está se adequando ao ritmo do novo grupo, que entende as limitações dele e o ajuda sempre. “Já aconteceu de eu cair em ensaios, mas sempre as pessoas conversavam comigo, perguntando se estava tudo bem”.

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