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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Baixas temperaturas atraem turistas para a serra e o sertão do Ceará

Quando se fala em Ceará, logo vem à cabeça as belas e exuberantes praias e as altas temperaturas. No entanto, engana-se quem pensa que esse Estado é sinônimo de calor o ano todo. A "Terra da Luz" também pode abrigar um tempo ameno, especialmente entre os meses de junho e julho, quando as temperaturas mais baixas tornam-se atrativo em algumas regiões cearenses.

Neste período, o forte calor dá trégua e, em determinadas cidades, há até quem sinta frio. A paisagem muda, as vestimentas, também. As roupas finas dão espaço aos fios mais grossos. Entram em cena fogueiras, vinho e até um tradicional prato de origem Suíça, o fondue, comida típica do inverno. Tudo isso é justificado pelos termômetros em baixa. 

Em Campos Sales, no Cariri cearense, e Guaramiranga, cidade do Maciço de Baturité, a temperatura mínima neste período pode chegar a 17°Celsius, com sensação térmica de até 14°C. A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) reforça que os meses de junho e julho normalmente são os mais frios do Estado. Na cidade do sertão cearense, a média é de 18,6°C para ambos os meses. Já no município serrano, a média para junho é de 18,1°C e, para julho, 17,4°C.

De acordo com o órgão, a explicação para a queda da temperatura é de que no Hemisfério Sul, região do Planeta onde o Ceará está situado, o inverno já começou - oficialmente no último dia 21 de junho. "Isso ocorre devido à inclinação da Terra e ao movimento de translação que se dá ao redor do sol neste período do ano", pontua o meteorologista do 3º Distrito em Recife do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Flaviano Fernandes. Ainda conforme o especialista, os fortes ventos e a umidade do ar contribuem, inclusive, para redução na sensação térmica. "Dependendo desses fatores, a sensação pode chegar a 2 ou 3 graus a menos do que o real", observou Fernandes.

'Suíça nordestina'

A 865 metros acima do nível do mar e cercada por serras, Guaramiranga é como um pedacinho do sul do Brasil em pleno Nordeste. O município com o menor número de habitantes do Ceará (cerca de 4 mil) atrai turistas devido às suas belezas naturais e também à temperatura agradável. No "Pico Alto", morro que está a 1.115 metros de altitude e se notabiliza como o ponto mais alto da localidade, é ainda mais frio neste período do ano. Por tudo isso, a cidade ganhou o charmoso apelido de "Suíça Nordestina".

"Quem mora no Nordeste é obrigado a conviver com as altas temperaturas durante quase o ano todo. Então, poder experimentar algo diferente é muito bom", conta a professora pernambucana Alice Gurgel Sousa, que percorreu quase 800 km com a família de Recife a Guaramiranga. "A viagem é um pouco cansativa, mas vale super a pena. Aqui a natureza parece ser mais viva, mais linda e cheia de cores. E esse clima é realmente maravilhoso. Chego a pensar que nem estou no Nordeste", acrescenta.

O comerciante Flávio Pereira trocou a vida agitada na capital cearense para "viver perto da natureza". Em 2016, ele abriu um restaurante no centro de Guaramiranga. "Quando chega o inverno, a gente recebe milhares de turistas. A economia se aquece. É um ótimo período".

Se durante o dia os roteiros são as belas cachoeiras e trilhas ecológicas, ao entardecer, com a chegada do frio, fondue, chocolate quente e vinho embalam os restaurantes da cidade. "É tudo muito charmoso. É pequeno, mas aconchegante", descreve a aposentada Glória Maria. Com uma xícara de chocolate quente nas mãos, ela acrescenta: "Aqui você encontra paz. Um destino que indico para todos", diz a fortalezense que elegeu o pôr do sol no Pico Alto como um dos melhores programas da viagem. "É surreal, a cena é encantadora".

Já no sertão, o contraste das temperaturas registradas ao longo do ano fica evidente quando chega o mês de junho. Em Campos Sales, por exemplo, município situado no Cariri Oeste, é difícil encontrar alguém usando roupas leves nesse período. "É preciso reforçar as vestimentas para aguentar o frio", brinca a salgadeira Valdiana Alencar.

"Mais para o fim da noite, o vento é gelado, tem que agasalhar bem", afirma a vendedora Leoneide Cícera, que comemora a chegada do inverno, "época em que minhas vendas aumentam". Ela comercializa roupas em geral. "Agora, meu estoque é voltado para casacos, roupas de manga e edredom", pontua.

Altitude

O meteorologista Danúzio Souza explica que as baixas temperaturas na cidade do Cariri devem-se à altitude e à sua localização. "Campos Sales está a mais de 500 metros de altitude do mar e, além disso, é cercada pela Chapada do Araripe, o que garante uma sensação térmica abaixo do comum neste período do inverno".

A cidade de Barro, no Cariri cearense, registrou neste mês a temperatura mais fria do Estado nos últimos seis anos: 16°C. O índice se aproxima dos 16.6°C registrados em Barbalha, em junho do ano passado. Foram as duas únicas vezes, desde 2014, conforme dados da Funceme, que cidades cearenses alcançaram temperaturas abaixo dos 17°C.

No Ceará, outras quatro cidades têm médias mínimas abaixo dos 21°C entre junho e julho (Crateús, 20,6°C; Iguatu, 20,6°C; Tauá, com 20,2°C e Morada Nova, 20,9°C).

O pesquisador da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Raul Fritz, reforça que "apesar de o Estado estar localizado muito próximo da Linha do Equador, as temperaturas tendem a apresentar redução no período de inverno austral. Daí essas médias um pouco mais baixas nessa época".

Diário do Nordeste

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