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segunda-feira, 22 de abril de 2019

Preço da gasolina sobe 13% na capital cearense

O recente aumento do valor dos combustíveis em Fortaleza fez com que o preço ficasse no patamar do observado no período da greve dos caminhoneiros no Brasil, em maio do ano passado. O POVO percorreu diversos postos durante o fim de semana e encontrou gasolina variando de R$ 4,52 a R$ 4,89, diferença de 8% (R$ 0,55). Só em 2019, o valor médio do litro do produto subiu 13%, passando de R$ 4,21, em janeiro, para R$ 4,76 neste mês, às vésperas do feriado da Semana Santa.

 A média de preços dos combustíveis durante a greve dos caminhoneiros ficou em R$ 4,54 para a gasolina; R$ 3,61 para o etanol, e R$ 3,80 o diesel, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos) diz que os estabelecimentos comercializam os combustíveis com base nos preceitos da livre demanda do mercado.

O aumento não atingiu somente o valor da gasolina. Etanol e diesel também tiveram seus preços reajustados em Fortaleza nos últimos dias. A advogada Márcia Maia reclama da alta da gasolina, afirmando que foi pega de surpresa na hora de abastecer. Na opinião dela, isso não deveria ter ocorrido, já que a Petrobras não anunciou aumento nas refinarias. Apenas o diesel sofreu reajuste de R$ 0,10 pela estatal.

A advogada aponta saídas como a carona amiga e Uber a fim de diminuir o impacto do aumento no orçamento. "Agora muitos vão voltar a deixar o carro em casa ou sair com um carro só, fazendo uma logística para reduzir o gasto com combustível. Muitos também trocam a gasolina pelo etanol. "Meu carro é flex, mas não costumo usar etanol, que teve aumento de preço, o que acaba fazendo o consumidor ficar sem alternativas", acrescenta.

O consultor na área de petróleo e gás, Bruno Iughetti, diz que não houve nenhuma mudança no programa de reajustes da Petrobras ou reajuste em refinarias nos últimos dias que justificasse tamanho aumento. Ele revela que o que existe é um represamento de preços. "O que acontece é que os preços estavam represados devido a questões de mercado e competitividade. Se os donos de postos fossem obedecer a todos os aumentos da Petrobras, teríamos alta BEM mais representativa neste ano. Mas o aumento, até agora, não foi repassado integralmente", completa.

Eysler Padilha é empresária e conta que ficou "horrorizada" ao chegar no posto de combustível e ver que o valor do litro da gasolina está próximo de R$ 5. "Acho um absurdo ter subido o dessa maneira. E não podemos fazer nada porque não posso ficar à pé, o porquê do aumento não entendemos". Apesar de reclamar, a empresária acredita que nos próximos dias o preço deve baixar, pois o feriadão terá passado.

Segundo Iughetti, a tendência é que os valores se estabilizem nos próximos dias. "Os preços nos próximos 30 dias devem permanecer mais equilibrados. A própria Petrobras está tendo o cuidado de realizar os reajuste somente quando é impossível de segurar", observa. Sobre os reajustes próximos de feriados, avalia se tratar de estratégia de mercado, mas que o principal vilão do consumidor são as altas taxas sobre os combustíveis, que chegam a 47% do valor da gasolina, exemplifica.

"O problema pode se equacionar se o Governo utilizar o colchão tributário para que fossem amortizados os aumentos, pelo menos durante determinado período. Nós temos uma carga tributária extremamente elevada", afirma.

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