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segunda-feira, 18 de março de 2019

Expectativa é de reunião mais política e menos comercial entre Trump e Bolsonaro nos EUA

O encontro dos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, nesta terça-feira (19), não deve firmar resultados práticos para a economia brasileira a curto prazo. Especialistas em política internacional consultados pelo Diário do Nordeste apontam que a viagem do brasileiro aos Estados Unidos é uma tentativa inicial de aproximação diplomática entre os dois países, avistando futuras parcerias para equilíbrio da balança comercial.

Intensificar o comércio com os Estados Unidos é medida urgente para a retomada da economia brasileira, segundo Sidney Ferreira Leite. O professor de relações Internacionais do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo pontua que, no ano passado, houve um déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos.

"Os Estados Unidos continuam importando muito pouco do Brasil. Apenas 1% do que eles importam vem do Brasil. Um dos temas prioritários (a ser tratado no encontro) é de alguma forma recompor a balança comercial".

Segundo Leite, embora a visita tenha um peso por se tratar de Estados Unidos, os empresários brasileiros não estão otimistas por entender que a reunião é de cunho mais político do que econômico. Na explicação do professor, o Governo Bolsonaro ainda está no início e, por isso, "não há agenda consolidada" que pudesse levar para a reunião e obter resultados mais claros. "Os resultados objetivos não devem ser dos mais auspiciosos pelo menos a curto prazo", explica.

Acordo

É esperado no encontro a assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas. Segundo o Governo, a medida permite o uso comercial da base de lançamentos aeroespaciais de Alcântara, no Maranhão.

A Base de Alcântara é reconhecida internacionalmente como ponto estratégico para o lançamento de foguetes, por estar localizada em latitude privilegiada na zona equatorial, o que permite uso máximo da rotação da Terra para impulsionar os lançamentos. A expectativa é que o Brasil fature até US$ 10 bilhões por ano com o negócio.

Outra missão brasileira em continente norte-americano é conseguir apoio estadunidense para a candidatura do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Assuntos como China, Brics e Venezuela serão colocados no centro do debate.

Autor do livro "Muda Brasil", que trata sobre a democracia dos Estados Unidos, Eduardo Diogo lembrou que, entre os integrantes dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apenas o Governo brasileiro tem uma afinidade ideológica mais direta com Donald Trump.

A aproximação poderia surgir como uma espécie de estratégia da Casa Branca para fragilizar o grupo, criado em 2006 para fortalecimento dos países de economia emergente. "Acredito que Trump vai querer enfraquecer o braço criado pelo Brics. Tem rivais lá, como a China e a Rússia".

Para Diogo, o "Brasil precisa diferenciar o que é interesse brasileiro e o que é interesse dos Estados Unidos". Ainda segundo o pesquisador da Georgetown University, a decisão do Brasil de abrir o visto do País para cidadãos estadunidenses é "arriscada", caso não haja contrapartida. "O princípio básico da diplomacia mundial chama-se reciprocidade. Se os Estados Unidos não tiverem a reciprocidade nessa mesma política, eu acho que é um erro", afirma.

Estadia

O presidente chegou aos Estados Unidos ontem por volta das 17 horas. Na mesma noite, participou de um jantar oferecido pela embaixada brasileira em Washington. Bolsonaro se pronunciou pelo Twitter logo que chegou a Blair House, Palácio de Washington destinado a receber os convidados de Estado em visita ao presidente dos Estados Unidos.

"Pela primeira vez em muito tempo, um presidente brasileiro que não é antiamericano chega a Washington. É o começo de uma parceria pela liberdade e prosperidade, como os brasileiros sempre desejaram. Brasil e Estados Unidos juntos assustam os defensores do atraso e da tirania ao redor do mundo. Os que têm medo de parcerias com um País livre e próspero? É o que viemos buscar!", escreveu.

Bolsonaro comemorou ainda o fato de se hospedar na Blair House, que, segundo ele é uma "honraria" e demonstração de "respeito" a "pouquíssimos Chefes de Estado". Os ex-presidentes brasileiros Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff também se hospedaram no Palácio ao visitar os EUA.

A reunião entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, amanhã nos Estados Unidos, pode ser início de uma caminhada em direção a uma balança comercial mais equilibrada entre os dois países. O encontro também deve trazer à mesa assuntos como Venezuela e balança comercial.

Diário do Nordeste

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