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sábado, 16 de março de 2019

Autor de massacre prega ódio à diversidade no Brasil

Um homem comum, 28 anos, nascido na Austrália em uma família de classe trabalhadora e de baixo salário. Assim se definiu o atirador do massacre nas mesquitas em Christchurch, Brenton Tarrant, em um manifesto de 73 páginas escrito em inglês precário, recheado de links da Wikipedia e publicado em uma conta no Twitter atribuída a ele.

No arquivo, intitulado "The Great Replacement" (A grande substituição), Brenton explica os motivos e as influências que o levaram a cometer os ataques ontem, que deixaram 49 mortos na Nova Zelândia. Há inclusive uma menção ao Brasil no documento.

O título do manifesto é uma clara referência ao livro publicado em 2012 pelo polemista francês Renaud Camus. Na obra, Camus discorre sobre a "teoria" de que a maioria branca europeia está em curso de substituição por imigrantes não brancos da África do Norte e da África subsaariana, muitos dos quais indivíduos muçulmanos.

Em linhas gerais, o australiano se posiciona como um nacionalista branco, contra a diversidade racial, apoiador do americano Donald Trump e do Brexit - mas não da Frente Nacional Francesa - e inspirado, entre outros, pelo atirador da Noruega Anders Breivik, cujos ataques em 2011 vitimaram 77 pessoas.

O Brasil aparece em uma seção intitulada "Diversidade é Fraqueza", no qual Terrant diz que os países "diversos" ao redor do mundo são locais de "conflito social, político, religioso e ético".

"O Brasil, com toda a sua diversidade racial, está completamente fraturado como nação, onde as pessoas não se dão umas com as outras e se separam e se segregam sempre que possível", escreve.

O atirador faz questão de deixar claro que seus pais são de origem escocesa, irlandesa e inglesa, e que "diariamente, nós nos tornamos menos numerosos" em razão de taxas de natalidade decrescente. A imigração em massa "a convite do Estado" e as "altas taxas de fertilidade dos imigrantes", segundo ele, terminariam por gerar uma "completa substituição racial e cultural dos povos europeus".

Ele justifica que houve um período de dois anos que "mudou dramaticamente" sua visão e o incentivou a cometer os ataques desta sexta-feira. O período citado por ele compreende o ataque terrorista em Estocolmo, em abril de 2017, quando um imigrante do Uzbequistão, Rakhmat Akilov, matou cinco pessoas quando atropelou pedestres com uma van em uma movimentada rua de compras da cidade.

Uma das vítimas do ataque foi uma jovem de 11 anos, Ebba Akerlund, citada nominalmente no manifesto. O ataque às mesquitas na Nova Zelândia seria para vingar a perda da vida da garota, "morta nas mãos de invasores".

Sem pedido de fiança

Algemado e vestido com uma camiseta de presidiário, o autor do ataque foi levado a um tribunal, ouviu impassível as acusações contra ele, não solicitou fiança e permanecerá na prisão até a próxima audiência, no dia 5 de abril

Transmissão ao vivo

Um vídeo do massacre foi bloqueado pelo Facebook durante sua transmissão ao vivo, mas foi compartilhado em outras redes sociais, evidenciando os desafios das plataformas de internet para conter conteúdos violentos

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