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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

"Eleição passada foi atípica", diz deputado ligado a suposta candidata laranja no Ceará

Deputado federal eleito pela segunda vez ano passado, Vaidon Oliveira (Pros) possui uma série de relações com Débora Ribeiro (Pros), candidata a deputada estadual que recebeu R$ 274 mil em verbas de campanha e obteve 47 votos. Em entrevista ao O POVO, ele minimizou a relação entre recursos e votos e negou ter envolvimento na campanha da candidata.

Deputado federal eleito pela segunda vez ano passado, Vaidon Oliveira (Pros) possui uma série de relações com Débora Ribeiro (Pros), candidata a deputada estadual que recebeu R$ 274 mil em verbas de campanha e obteve 47 votos. Em entrevista ao O POVO, ele minimizou a relação entre recursos e votos e negou ter envolvimento na campanha da candidata.

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O POVO: Qual sua relação com a candidata Débora Ribeiro, ela trabalha contigo?

Vaidon Oliveira: Não, não trabalha não.

OP: E já trabalhou?

Vaidon: Não.

OP: Ela recebeu mais de R$ 270 mil, mas só teve 47 votos.. não é estranho?

Vaidon: Cara, essa.. isso foi uma.. uma decisão da nacional. A relação dela era com o Wellington Saboia, que era uma candidatura que a gente pensava que teria uma expressão que teria muito voto, e foi... Foi uma eleição muito atípica, diferenciada das outras, e a candidatura foi fracassada e acabou deixando ela nessa situação, que ela acreditou na campanha dele, mas, como ele não teve sucesso, ela também não teve.

OP: Mas ela fez campanha?

Vaidon: Fez, fez. Ela fez campanha, botou gente na rua, fez material.

OP: Rapaz, mas nem quem fez a campanha dela votou nela? Porque ela contratou muita gente, mas só teve 47 votos.

Vaidon: Como as campanhas foram, como tô te falando, dos partidos, como o candidato a federal não teve êxito, acredito que ela também teve dificuldade. Mais ou menos isso. Esse negócio de recurso, de parte financeira, não tem muito a ver com relação ao voto não. Tem gente que gastou R$ 20 mil e foi o deputado mais votado do Brasil. Então gasto de campanha eu acredito que a tendência é se acabar, porque a relação com o voto não tem nada a ver. O voto não tem nada a ver com isso, acho. E vem provando isso em todas as campanhas, e nessa provou mais ainda, que o dinheiro não fez muita diferença para ter êxito nas eleições.

OP: Você disse que veio pela nacional. Como foi, o pessoal daqui participou, indicou, ou veio totalmente por eles?

Vaidon: Vem totalmente por eles. Eu era presidente da estadual, então a gente envia uma chapa, mandamos uma lista dos pré-candidatos, para a nacional fazer o envio do recurso. Na nossa chapa tivemos um cuidado para que todo mundo recebesse de acordo com aquilo que a gente achava que era sua expressão de voto. Todos os candidatos tiveram direito à parte financeira que veio da nacional para o Estado. E aí é articulação política, quem mostra que tem mais capacidade consegue mais.

OP: O Wellington Saboia ajudou então, ele está no Pros?

Vaidon: A expectativa da gente era que ele disputasse a terceira vaga, e não deu certo. Não tem nada a ver recurso com voto.

OP: Na filiação da Débora Ribeiro na Justiça Eleitoral, ela coloca o e-mail como deboravaidon90@hotmail.com. Se ela não tem relação contigo, por que ela usaria esse e-mail?

Deve ser (pausa) porque eu era do Pros, deve ser porque eu era presidente do Pros. Eu fui presidente por um tempo, aí essas filiações eram articuladas

Vaidon: Não.. eu não sei (pausa)

OP: Está lá, em notas fiscais à Justiça ela inclusive usa esse e-mail..

Vaidon: (pausa) Deve ser porque eu era do Pros, deve ser porque eu era presidente do Pros. Eu fui o presidente por um tempo, aí essas filiações foram articuladas, quem fez essa aí foi o Wellington Saboia e eu, inclusive eu abonei muita filiação.

OP: Vimos também que algumas pessoas ligadas ao seu gabinete receberam dinheiro da campanha dela. O Francisco Samuel, que hoje está no seu gabinete na Câmara dos Deputados, recebeu dinheiro da campanha dela. Por quê, ele ajudou na campanha dela?

Acredito que sim. Eu, no meu gabinete, tenho muito cuidado. Até pra não virem dizer que usei gente do meu gabinete para a campanha, eu deixo todo mundo livre.

Vaidon: Sim (pausa) acredito que sim. Porque eu, no meu gabinete.. eu tenho muito cuidado. As pessoas que trabalharam no meu gabinete muito pouco trabalham na minha campanha. Porque, como estavam lotados no meu gabinete, eu deixei todo mundo livre de mim no período da campanha, que é para não ter preocupação com relação a dizer que eu usei gente do meu gabinete para a minha campanha. Então tava todo mundo livre. Deixei lotado no gabinete, porque já era final de mandato, mas deixei eles à vontade.

OP: A Francisca Maria Silveira Oliveira é sua parente?

Vaidon: Sim.

OP: Ela é o que?

Vaidon: Francisca Maria? Francisca Maria...?

OP: Silveira Oliveira.

Vaidon: Minha irmã.

OP: Ela também recebeu dinheiro da campanha da Débora. Ela participou também? Como foi?

Vaidon: Deve ter sido... Não sei, você tem que conversar com ela. Como te falei, o meu comitê, como eu articulei as candidaturas de todos os candidatos, eu tive... todo mundo vinha no meu comitê, no meu escritório, foi feita uma campanha dos candidatos do Pros. Todos os estaduais e federais. Como eu tinha interesse que o partido tivesse bastante voto, meu comitê funcionou bem dizer como um comitê do Pros. Mais ou menos nessa situação.

O POVO Online

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