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quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Bolsonaro defende maior abertura comercial do Brasil em Fórum

O presidente Jair Bolsonaro defendeu uma maior abertura comercial do Brasil e a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC) em seu curto discurso no primeiro dia do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ontem (22). "Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais".

Além de ter sido menor que o de outros presidentes brasileiros que participaram do evento, o discurso não abordou o tema reforma da Previdência de forma específica. Em pouco mais de seis minutos, Bolsonaro cita que seu Governa goza "de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós" e, sobre economia, falou ainda em estimular o empreendedorismo.

Bolsonaro não mencionou explicitamente nomes de reformas no discurso, mas ressaltou que pretende diminuir a carga tributária, simplificar as normas com o objetivo de "facilitar a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos" no Brasil. "Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios".

Estabilidade

Ainda aos investidores e políticos presentes em Davos, Bolsonaro garantiu que vai trabalhar pela estabilidade macroeconômica do Brasil e prometeu respeitar os contratos, privatizar ativos e equilibrar as contas públicas.

No comércio internacional, o presidente destacou que o Brasil é uma economia relativamente fechada e que seu Governo tem como compromisso "mudar essa condição". "Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir", disse ele. "Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como as que são adotadas e promovidas pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)".

Quanto ao Mercosul, Bolsonaro reforçou que o bloco precisa ser aperfeiçoado e destacou que o Brasil está preocupado em fazer a América do Sul "grande", mas sem viés de esquerda. "Não queremos uma América do Sul bolivariana", declarou.

O presidente ainda afirmou ao público presente no Fórum Econômico Mundial, de cerca de mil pessoas, que o Governo dele buscar apoio para aumentar o bem-estar no Brasil.

Presidente discursou pela primeira vez à comunidade internacional em Davos, na Suíça, destacando que o Brasil mudou e que seu Governo goza de credibilidade para realizar reformas necessárias ao País

Previdência

Enquanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, ignorou a reforma da Previdência no discurso de abertura do Fórum Econômico Mundial, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tratou de transmitir uma mensagem forte aos investidores em encontro promovido pelo Itaú Unibanco. Guedes afirmou que haverá consenso no Congresso para aprovar a proposta de emenda constitucional.

Investidores que estiveram no almoço organizado pelo banco brasileiro comentaram que a palestra de Guedes "foi um show". "Durante 90 minutos, ele narrou com maestria os planos para a economia. Foi animador", disse um banqueiro, que também assistiu ao discurso de Bolsonaro.

No encontro, para rebater a preocupação dos investidores com o risco de o Congresso travar a aprovação da reforma, Guedes colocou suas fichas numa frente ampla de governadores para apoiá-lo.

O próprio presidente Jair Bolsonaro também deu mais informações sobre a reforma que apresentará para reformular a Previdência quando ele e seus ministros entraram em uma sala exclusiva, apenas com os CEOs e presidentes de algumas das maiores empresas do mundo.

Um dos participantes de uma multinacional que esteve presente no encontro informou que o Governo prometeu que o projeto de lei da reforma será detalhado "assim que o novo Congresso se reunir". "Eles nos disseram que essa é a prioridade e que o projeto da reforma será apresentado já nos primeiros dias (da nova Legislatura)", contou o executivo.

O governo não deu uma data fechada sobre quando uma votação poderia ocorrer. Mas insistiu que esse será o primeiro trabalho do Governo. O presidente Jair Bolsonaro, segundo o executivo que esteve no encontro, também admitiu que a reforma pode não sair exatamente como eles previam, já que certas "acomodações" terão de ser feitas para garantir sua aprovação, que é esperada pelos investidores.

Incerteza

Foi com uma mistura de medo, interesse e certa satisfação que empresários, economistas e a elite da finança internacional receberam o discurso do presidente Jair Bolsonaro - que, em menos de dez minutos, tentou convencer o mundo de que o Brasil "mudou".

"O Brasil é um grande País. Merece alguém melhor", disse o americano Robert Shiller, prêmio Nobel de Economia. "Ele me dá medo", insistiu.

Um banqueiro alemão, que não quis ser identificado, reclamou da falta de informações. "Ele deu manchetes. Mas queremos detalhes", insistiu. "Talvez não haveria como pedir mais dele", ironizou.

O presidente da Iberdrola, José Ignacio Galán, acredita que o discurso serviu para deixar claro "o que o Governo pensa". "Ele falou de como quer as contas do País estabilizadas e, acima de tudo, em transformar o Brasil num dos 50 melhores lugares para se fazer negócios. Isso é fundamental para atrair parceiros". Ricardo Marino, chairman do Itaú na América Latina, acredita que o discurso serviu para "educar" aqueles que não conhecem o Brasil. "Obviamente que o investidor quer saber de mais detalhes, mas para quem não está educado sobre o Brasil, ele vê que novo ciclo chegou".

Para o conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Lauro Chaves Neto, o presidente "perdeu uma grande oportunidade" de fazer um discurso incisivo de apresentação do Brasil ao mundo dos negócios. "Sua fala foi protocolar e curta, aparentemente com uma grande preocupação do Itamaraty em não causar incômodo ou escorregões. De positivo apenas a coerência com a agenda econômica da campanha e o reforço na questão ambiental", avalia.

O analista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, avalia que Bolsonaro acertou nas questões que escolheu para destacar, como a abertura comercial e o ajuste fiscal, mas avalia que ele poderia ter sido um pouco mais incisivo nas medidas que pretende adotar para atingir esses objetivos.

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