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domingo, 12 de agosto de 2018

Siamesas cearenses unidas pela cabeça mostram evolução e já tentam dar primeiros passos, diz pediatra

A menos de dois meses para a última etapa do processo de separação, as siamesas unidas pela cabeça se desenvolvem bem e até mais rápido do que o previsto, segundo avaliação da equipe médica do Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto (SP).

Aos 2 anos, Maria Ysadora e Maria Isabelle, que permanecem deitadas a maior parte do tempo, estão aprendendo a falar, brincam juntas e até ensaiam os primeiros passos, que serão possíveis mesmo, após a última cirurgia, antecipada para outubro.

“A evolução delas foi surpreendente para todos. Elas querem brincar, querem sair de onde estão e se ajudam bastante. A Ysabele se movimenta um pouco mais, a Ysadora faz força com o corpo para puxá-la, e vice-versa”, conta a oncologista pediatra Maristella Francisco dos Reis.

A médica integra a equipe de 30 profissionais que participam das cirurgias de separação das siamesas e acompanha a família das meninas, que é de Patacas, distrito de Aquiraz (CE), desde que se mudaram temporariamente para Ribeirão, em janeiro deste ano.

“Elas aprenderam a pegar brinquedos com os pés e trazer até as mãos, e passam brinquedo uma para a outra, e brigam por causa dos brinquedos também. Elas estão falando algumas palavras, então elas chamam algumas pessoas com quem têm mais afinidade”, detalhou.

As gêmeas seguem no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do hospital desde a última cirurgia, realizada no sábado (4) – a terceira de cinco que serão feitas. A previsão é que as meninas recebam alta médica na próxima semana.

Apesar de a equipe não descartar a possibilidade de que uma das irmãs fique com sequelas, após o último procedimento, a pediatra disse que a expectativa é positiva, destacando que a regeneração e adaptação cerebral é maior nas crianças.

“Elas estão falando papai, mamãe. Alguns amiguinhos que elas fizeram em Ribeirão, elas também falam os nomes deles. Já reconhecem praticamente toda a equipe. Então, realmente, a evolução delas é surpreendente”, afirmou.

Processo de separação
Maria Ysabelle e Maria Ysadora passaram pela terceira cirurgia no último sábado. O procedimento durou oito horas e, segundo o neurocirurgião Hélio Rubens Machado, foi o mais complexo. Machado disse ainda que 80% dos cérebros das siamesas já foram separados.

As gêmeas devem passar pela quarta cirurgia em 1º de setembro, quando serão implantados quatro expansores subcutâneos para dar elasticidade à pele e garantir que, na separação total de corpos, haja tecido suficiente para cobrir os crânios.

Após cada cirurgia, as gêmeas também são submetidas a uma série de exames para que a equipe desenvolva um molde das cabeças em 3D, com detalhes dos cérebros, veias e artérias, para que a equipe possa planejar a próxima etapa.

Cerca de 30 profissionais de diferentes áreas, como neurocirgia, cirurgia plástica, pediatria, enfermagem, entre outras, participam dos procedimentos. A equipe conta com o apoio do cirurgião norte-americano James Goodrich, referência mundial no assunto.

Para facilitar a logística, a família se mudou em janeiro deste ano para Ribeirão e passou a viver provisoriamente nos fundos de uma casa usada pelo Grupo de Apoio ao Transplantado de Medula Óssea (Gatmo), dentro do campus da USP.

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