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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Neurocirurgião diz que 80% dos cérebros de irmãs siamesas cearenses já estão separados

O neurocirurgião Hélio Rubens Machado afirmou nesta segunda-feira (6) que 80% dos cérebros, veias e artérias das irmãs siamesas unidas pela cabeça já foram separados. As gêmeas seguem internadas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e se recuperam bem, após a terceira cirurgia a que foram submetidas no Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto (SP).

Maria Ysabelle e Maria Ysadora, de 2 anos, devem passar pela quarta cirurgia em 1º de setembro, quando serão implantados quatro expansores subcutâneos para dar elasticidade à pele e garantir que, na separação total de corpos, haja tecido suficiente para cobrir os crânios.

“Elas se comportaram bem e o pós-operatório é imediato agora. Estão recebendo todos os cuidados para cirurgias complexas e neurológicas, e tendo uma evolução absolutamente dentro do esperado. Felizmente, as coisas estão correndo satisfatoriamente”, disse Machado.

O neurocirurgião Ricardo Santos Oliveira afirmou que as meninas têm cérebros independentes, mas com áreas de vascularização interligadas. São esses vasos sanguíneos que foram separados em cada das três primeiras cirurgias realizadas até agora: em 17 de fevereiro, em 19 de maio e no último sábado (4).

Oliveira não descartou a possibilidade de que uma delas fique com sequelas. Isso porque, os cérebros das siamesas têm uma anatomia diferente das pessoas comuns. Além disso, o cérebro de Maria Ysadora é menos vascularizado do que o da irmã.

“São riscos calculados, que já foram comentados anteriormente, inclusive com os pais. Existem coisas que vão além da nossa capacidade. Existem equipes do hospital preparadas, não só para os cuidados intensivos, mas para os eventuais cuidados de reabilitação”, afirmou.

Nesse sentido, Machado destaca que a decisão de começar a separar as meninas ainda bebês - a primeira cirurgia, em fevereiro, ocorreu quando elas tinham 1 ano e 7 meses de vida - foi tomada justamente para permitir a regeneração e adaptação cerebral.

"Precisamos operar o mais cedo possível para que o cérebro também se reorganize. O cérebro da criança se forma ao longo do tempo, não está formado completamente ainda. É complexo tratar de crianças? Muito. Mas, é por isso que tem toda essa equipe envolvida", destacou.

Cerca de 30 profissionais de diferentes áreas, como neurocirurgia, cirurgia plástica, pediatria, enfermagem, entre outras, participam das cirurgias de separação das siamesas. A equipe conta com o apoio do cirurgião norte-americano James Goodrich, referência mundial no assunto.

"A vantagem de operar criança é que o cérebro está em desenvolvimento. Então, caso ocorra algum problema, há uma chance desse cérebro, desde que estimulado, recuperar a função. É diferente de um adulto que sofre um acidente vascular cerebral e, muitas vezes, fica sequelado, não tem mais a capacidade de se reorganizar do ponto de vista da plasticidade do cérebro", completou Oliveira.

Terceira cirurgia
Maria Ysabelle e Maria Ysadora passaram pela terceira cirurgia no último sábado. O procedimento durou oito horas e, segundo Machado, foi o mais complexo até agora. O neurocirurgião disse que as equipes trabalham integradas durante toda a operação.

“Em cada passo da cirurgia, a gente coloca no lugar que foi operado, entre um cérebro e outro, uma membra plástica especial, que não adere, não gruda no cérebro. Na última cirurgia, de separação de corpos, a gente vai retirar tudo e não ter aderência dos cérebros”, explicou.

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