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sábado, 14 de julho de 2018

Ciro acerta prazo com Centrão para ajustar propostas comuns

O pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto nas eleições 2018, Ciro Gomes, acertou com líderes dos partidos do chamado Centrão – que reúne DEM, PP, Solidariedade e PRB – que tentará ajustar, no prazo mais curto possível, propostas comuns, principalmente na área econômica, que viabilizem o apoio das legendas a sua candidatura. Em reunião realizada neste sábado, 14, na casa do empresário Benjamin Steinbruch, em São Paulo, os partidos também se comprometeram a definir suas propostas prioritárias.

No encontro, não houve definição de aliança, mas, de acordo com um dos participantes, as conversas “afunilaram mais” em torno do nome de Ciro. O grupo, visto como fiel da balança na disputa ao Palácio do Planalto, busca fechar apoio a um dos candidatos antes das convenções, que começam no próximo dia 20. O presidenciável tucano Geraldo Alckmin também negocia com partidos do bloco.

Após cerca de três horas de conversas, os partidos decidiram voltar a se reunir durante a semana. Um dos encontros deve ser com representantes do PR, que já integrou o grupo, mas, no momento negocia com o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro.

O Centrão, que agora também é chamado de “Blocão”, compõe a terceira bancada da Câmara, com 49 deputados, de quatro partidos, todos da base do presidente Michel Temer. O PP é o maior partido do bloco e controla os ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura – com orçamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilhões –, além de ter o comando da Caixa Econômica Federal.

Temer já avisou aos aliados que não admite que eles apoiem Ciro Gomes que, recentemente, o chamou de “quadrilheiro” e “ladrão”. As ameaças, externadas pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, no entanto, não tiveram efeito.

Na reunião, os líderes partidários foram unânimes em dizer que, se o governo se estressar, que leve os ministérios e os cargos. Outro participante do encontro afirmou que eles não estão preocupados com a ameaça do governo.

Outros temas que estavam em discussão eram as alianças regionais, a possibilidade de vice na chapa e uma articulação para a eleição da presidência da Câmara a partir de 2019.

Economia. Os pontos considerados mais importantes a serem “ajustados” entre o bloco e Ciro Gomes são em relação às reformas da Previdência e Trabalhista, além das regras para a manutenção do equilíbrio fiscal. Acertaram, então que Centrão e Ciro elaborarão as suas pautas econômicas e, se possível, ainda nesta semana, vão avaliar os pontos em comum e divergentes, para que cheguem a um discurso unificado, ou o mais próximo possível.

Ao citar as divergências, um dos integrantes do Blocão lembrou que Ciro Gomes falou em revogar a reforma trabalhista aprovada pelo governo de Temer e, no caso da previdenciária, há divergência na forma de como encarar e combater o seu déficit.

Embora o maior partido do grupo seja o PP, as principais resistências ao apoio a Ciro vêm de parte do DEM, na ala comandada pelo prefeito de Salvador, ACM Neto, e do PRB, que tem à frente o ex-ministro de Temer Marcos Pereira e ainda mantém o domínio sobre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Juntos, os partidos do blocão tem, no mínimo, 4 minutos e 12 segundos por dia no horário eleitoral de rádio e TV, que começa em 31 de agosto. O cálculo feito na reunião é que, se somar isso ao PDT e ao PSB, o tempo sobe para mais de seis minutos. Outra avaliação é que os partidos do Blocão têm palanques importantes, principalmente no Nordeste e no Sudeste. Embora o maior partido do grupo seja o PP, a força do DEM pode ser medida pelo comando da Câmara, zona de influência que a sigla quer manter na próxima legislatura.

Neste sábado, foram realizadas três reuniões, todas na casa de Steinbruch, filiado ao PP. Amigo de Ciro, o empresário já foi cotado para ser vice na chapa do pré-candidato. Na primeira, estavam o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, pelo DEM, o presidente do PP, Ciro Nogueira, do Solidariedade, Paulinho da Força, do PRB, Marcos Pereira, do PDT, Carlos Lupi. Depois Marcos Pereira saiu e o encontro continuou. Em um terceiro momento, Pereira voltou e Paulinho saiu. Todos demonstraram pressa nos acertos e novas reuniões foram marcadas para a semana, quando pretendem ajustar os protótipos de programa econômico.

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