domingo, 13 de agosto de 2017

Mestre da Cultura “Manoel Bigode” será sepultado nesta segunda (14) em Juazeiro do Norte (CE)

Mestre BigodeO sepultamento de um dos guardiões da cultura cearense, Manoel Antônio da Silva,94, conhecido como “Mestre Bigode”, que se destacou na linguagem da dança e no manejo do bacamarte, está marcado para esta segunda (14), às 10h, em Juazeiro do Norte. A informação é do site da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), que em nota de pesar, lamenta a morte (a cauda não foi notificada) do “Mestre Bigode”, como era conhecido, no sábado (12).

Considerado um dos mais habilidosos bacamarteiros do Ceará – personagens de folguedo popular nordestino responsáveis pela abertura das festas com salvas de tiros - , Manoel Antônio ganhou o título de mestre da cultura popular tradicional ao se inscrever no Edital Tesouros Vivos de 2004.

Mestre Bigode começou a dançar o ritmo “maneiro-pau” por volta de 1942, em Juazeiro do Norte, passando a integrar o grupo de Bacamarteiros Padre Cícero, criado por ele, há cinco décadas, sendo um dos mais antigos em atividades no Estado. Nasceu em 4 de julho de 1923, no município de Iguatu, filho do agricultor José Antônio da Silva e da parteira Maria Luísa da Silva.

Imaginário

O sertão sempre fez parte do imaginário do menino, que mais tarde tenta reelaborar a dura realidade enfrentada por seus moradores através da arte. Mestre Bigode recorreu à dança “maneiro pau”, que reúne precisão, ritmo e agilidade. Sem saber, contribuía para perpetuar a memória desse espaço geográfico, daí o reconhecimento da comunidade. Adotou elementos da estética sertaneja, bem como seus tipos, a exemplo do cangaceiro, em particular Lampião, que conheceu na infância. Passou a usar parte de sua indumentária - chapéu de couro e as alpargatas – como uniforme. Em outras ocasiões, exibia roupas coloridas.

Depois de passar a infância e parte da vida adulta em Iguatu, aos 39 anos foi residir em Juazeiro do Norte, ganhando o apelido de “Mestre Bigode”. Foi quando começou a brincar no grupo de maneiro pau da cidade. Compondo um grupo de 12 homens, interpretava músicas que faziam referência a fatos e personalidades que marcaram a história nordestina. Sua arte foi influenciada diretamente pelas histórias tiradas dos folhetos de Cordel que ouvia nas feiras da região do Cariri.

Suas andanças se estenderam também pela feira de Caruaru, em Pernambuco, palco de grupo de maneiro pau e bacamarteiros. A influência foi materializada na criação do grupo de bacamarteiros, em Juazeiro do Norte. O objetivo era animar as aberturas de festas populares com grandes salvas de tiros. Mas “saíram do circuito cultural em razão do uso de material explosivo, que passou a ter comercialização restrita”.

Manoel Antônio foi inscrito no edital Mestres da Cultura 2004 pela Secretaria da Cultura e Turismo de Juazeiro do Norte, recendo o título de Mestre da Cultura Popular Tradicional, do Governo do Estado, no mesmo ano. Sempre participou do Encontro Mestres do Mundo, promovido anualmente pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, com o objetivo de mostrar o saber tradicional e valorizar o artista popular.

DN Online
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